O novo presidente da comissão política regional do Partido Trabalhista (PTP), Quintino Costa não poupa nas críticas ao Governo Regional e manda farpas em direção à Praça do Município. Diz que o PTP não é anti-sistema mas antes “anti-corrupção e anti-compadrio”.
E lança um enigma à pergunta “quem mandava para a prisão?”.
FUNCHAL NOTÍCIAS: Qual a maior qualidade e o maior defeito de José Manuel Coelho?
Q.C.: Não é justo referir-me a qualidades e defeitos dos camaradas. No entanto, nunca fugi a qualquer tipo de pergunta. Fazendo jus a esse princípio direi que a maior qualidade de José Manuel Coelho é de ter um excesso de capacidade de oratória. Considero que o seu maior defeito é não ter capacidade de contenção do seu excesso de loquacidade.
FN: Na liderança de Quintino Costa a estratégia do PTP vai continuar a ser anti-sistema?
QC: O PTP não pode nem deve ser um partido considerado anti-sistema nem o foi no passado recente. Relembro que após as penúltimas autárquicas, em vários concelhos, o PTP assumiu funções de responsabilidade nos órgãos autárquicos e alguns até em cargos executivos mantendo as suas responsabilidades com enorme brio. Dou como exemplo a Assembleia Municipal do Porto Santo que por diversas vezes a presidente da Assembleia Municipal eleita pelo PS em divergências com o presidente da Câmara abandonou ou recusou-se a assumir as funções de presidente a eleita do PTP é que garantiu o normal funcionamento da Assembleia Municipal.
Nos vários órgãos autárquicos do Funchal independentemente das críticas e das divergências políticas com a coligação Mudança a orientação da direção do partido para com os eleitos do PTP na coligação Mudança foi sem abdicar das suas opiniões e posições críticas que não colocassem em causa o acordo de coligação e a governabilidade dos órgãos autárquicos.
No entanto, reconheço que o ambiente político existente na Região convida a que um partido com as características do PTP possa ser erradamente caracterizado por partido anti-sistema. Um partido como este não se deve acomodar nem se vender a troco de uma cadeira ou do ar condicionado dos gabinetes de poder. Respondendo diretamente à sua pergunta, na liderança de Quintino Costa a estratégia do PTP não será como nunca foi uma estratégia anti-sistema mas sim uma estratégia anti-corrupção, anti-compadrio e a favor da democracia e da participação cívica de todos.
FN: Defina, numa palavra: Paulo Cafôfo; Miguel Albuquerque.
QC: Definição de Paulo Cafôfo: Siamês júnior de Alberto João Jardim; Definição de Miguel Albuquerque: cópia de má qualidade de Jaime Ramos.
FN: Quais são os três maiores problemas da Madeira.

QC.: A Madeira tem muitos problemas. Escolher três por ordem quantitativa pode ser um erro no entanto, entendo que os seguintes são extremamente preocupantes.
1º Falta de cultura democrática dos agentes políticos, socias, culturais e económicos. Esta situação condiciona o desenvolvimento de um povo e de uma região.
2º A situação económica e fiscal da nossa autonomia não permite a sustentabilidade de sectores vitais para o bem estar da população, em particular na área da saúde, educação e de criação de posto de trabalho.
O governo não tem receita para fazer face às despesas com a saúde e educação. A falta de financiamento obriga a um retrocesso no investimento público.
As empresas sofrem os efeitos da insularidade sendo que veem nas politicas do governo grandes entraves ao seu desenvolvimento. Entre eles destacam-se as elevadas taxas de combustíveis. O funcionamento e os preços praticados nos portos e aeroportos constituem-se como inimigos do investimento. Os lóbis que condicionam o normal funcionamento nos transportes de mercadorias, um sistema fiscal pouco atrativo, pouca transparência nas politicas de concursos públicos. Todas estas situações empobrecem a região e o seu povo.
3º Exploração laboral. Nos últimos tempos temos assistido a um acentuar da exploração laboral e do não cumprimento dos mais elementares princípios constitucionais. Como podem as entidades de fiscalização laboral permitirem que existam contratos de trabalho que obrigam o trabalhador a subscrever que não está filiado em qualquer associação sindical? Como pode uma entidade de fiscalização pública ter nos seus quadros pessoas que acumulam a função de fiscalização laboral com a sua atividade privada de empresário e não respeitam a legislação em vigor, em particular o pagamento de salários a tempo e horas?
Como pode um presidente de Governo que a 28 de Janeiro de 2016 na Assembleia Legislativa Regional afirmou que o mais importante são as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e que permite que o seu número dois do governo apele a uma retrógrada lei laboral na qual defende um modelo aproximado à escravidão.
FN: Quem mandava para a prisão?
QC: O meu conceito de liberdade é muito amplo. Tenho dificuldades em escolher um ser humano para mandar para a cadeia. No entanto, considero que, por vezes, existe a necessidade extrema do condicionamento da liberdade, em particular quando desvirtuam a democracia e usam abusivamente os bens públicos.
Nesse caso, considero que o inquilino que atualmente tem a sua residência política na Rua do Quebra Costas já não tem idade para pagar pelos atropelos que fez à democracia. Por essa razão, fica automaticamente excluído da minha escolha.
Resta-me mandar para a prisão uma “ratazana” que abusivamente apoderou-se de dinheiros municipais. Invadiu um importante edifício situado à Rua Dr. Fernão Ornelas. Esse invasor afoito de mediatismo e protagonismo apesar de suscitar alguns arrepios democráticos e condenação deontológica continua bem hospedado. Alimenta-se de uma dose de propaganda diária infernal às custas do contribuinte. No mesmo ato de prisão, se me fosse possível, concedia ao atrevido invasor o direito a dividir a cela com o seu adjunto. Deste modo, os dois juntos, mesmo na condição de presos, podiam preparar as próximas eleições regionais.
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