Axum, a cidade mais lendária da Etiópia, foi capital do Império. Fica bem perto da fronteira, a 150 km ao sul de Asmara, capital da Eritreia, que não mantém relações diplomáticas com a Etiópia e tem as fronteiras encerradas.
Os seus reis criam ser descendentes do Rei Salomão e da Rainha do Sabá. Axum é famosa e conhecida pelos seus obeliscos misteriosos, altas torres monolíticas de pedra, e até por guardar supostamente a Arca da Aliança, fechada a sete chaves numa capela tosca. Verdades visíveis, só as ruínas do império Aksumita.
A Arca da Aliança tem uma história rica. Teria sido levada de Israel por Menelik I, filho da Rainha do Sabá, quando aos 21 anos foi visitar o pai, o Rei Salomão de Israel.
A Arca teria ficado no Mosteiro de Tana Kirkos, no maior lago da Etiópia, fonte do Nilo Azul. Narra a mesma história etíope que o Rei Ezana tê-la-ia mandado buscar de volta e colocado numa capela sagrada aqui em Axum.
Num prédio onde apenas uma pessoa pode vê-la : o homem sagrado, guardião de todas as tradições religiosas.
Todos juram que guardam ali a Arca da Aliança. É a crença que dá origem à história. É ela que exerce profunda influência na imaginação e na vida espiritual dos etíopes.
Esta Arca que ninguém viu ou tocou conteria as Tábuas da Lei entregues por Deus a Moisés no Monte Sinai. Inspirou, recorde-se, um filme de grande sucesso, “Os Salteadores da Arca Perdida”, com o arqueólogo aventureiro Indiana Jones, interpretado por Harrison Ford… Na realidade, histórias do aparecimento da Arca têm surgido, esporadicamente, mas sem fundamento.
A Etiópia é um país pobre, disso ninguém duvida. Apenas pouco mais de 10 por cento da população tem acesso à rede sanitária e cerca de 35% a água para beber. Está longe de imaginar-se a Etiópia um país do ponto de vista turístico. Porém, pensava na mesma como um país desértico com crianças subnutridas com as barrigas inchadas e pobreza por todo o lado, sem quaisquer atracções interessantes para o visitante. Mas engana-se quem pensa assim. Encontrei um pais verde, de fauna e flora deslumbrantes, de crianças cheias de energia, de sorrisos.
Um país alegre de contrastes naturais e que tem muito para oferecer. Sou um aventureiro, um cidadão do mundo, e regresso mais rico do que quando aqui cheguei, embora com os bolsos mais vazios. A Etiópia não é apenas aquela imagem de crianças esqueléticas e famintas; é antes de tudo uma terra de homens, mulheres e crianças especialmente bonitos.
O país não vai pagar para sempre o preço daquelas cicatrizes que parecem eternas dos anos 80. A Etiópia pode ser deslumbrante e fartamente compensadora para o turista.
Não sou especialista em antiguidades nem arqueólogo, muito menos antropólogo. Sou apenas um turista comum que encontrou um lugar no mundo para embrenhar-se na densa história da raça humana.
As pessoas podem deliciar-se com o que de melhor tem Axum para oferecer aos seus visitantes. A Etiópia é um daqueles países que, uma vez visitados, ensinam lições. O Mosteiro de Yeha, a Igreja Abba Aftse e as Stelas akusumitas, as feiras de artesanato, os fabulosos, gigantescos obeliscos monolíticos de Aksum, a igreja de Santa Maria do Sião o Palácio da Rainha do Sabá, do qual pouco resta para além da sua piscina, são memórias que nos preenchem.
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