
Centenas e centenas de visitantes da vila da Calheta à procura da chamada praia amarela mostram-se “apreensivos” com a queda iminente de rochas das escarpas mas deitam o medo para trás das costas e preferem desfrutar da praia e da maresia.
Conforme o FN noticiou esta manhã, uma pedra de cerca de 100 quilos embateu, pelas 10h30, em parte de uma viatura estacionada junto a uma unidade turística local, nas proximidades do Porto de Recreio da Calheta. Quem conhece bem a zona diariamente, alerta para a queda frequente de rochas que se vão soltando das escarpas sobranceiras à Rua D. Manuel I, “um verdadeiro perigo público”. A sorte tem sorrido aos visitantes, porque, felizmente, não tem havido vítimas mas o perigo espreita e o aviso da natureza continua a ser insistente.
José da Silva é um dos muitos taxistas que trabalham junto ao edifício Onda Parque, onde está também implantado o Supermercado Pingo Doce. Conhece bem a Calheta e foi um dos empreiteiros ligados à construção durante os tempos áureos do “boom” das obras públicas. Com 72 anos de idade, e mais para manter-se sempre ativo, trabalha há 10 anos como taxista. Critica, sem filtros, “a demora do governo em vir para o terreno e segurar ou consolidar estas escarpas que são um perigo público, há muito tempo”. Na sua perspetiva, “talvez só irão atuar na consolidação desta rocha quando houver dezenas de mortos. Nesse caso, primeiro vão responsabilizar a natureza e depois vão pôr os engenheiros a pensar em fazer alguma coisa…”
O turismo povoa a vila da Calheta e enche as unidades turísticas do concelho. A oferta hoteleira, as obras na promenade e demais investimentos merecem o elogio de José da Silva: “Tudo isso foi muito bom para nós. Se não fossem estes investimentos, isto era um deserto e garanto-lhe que muito menos pessoas optavam por passar férias na Calheta. A praia amarela é a grande atração de todos e dá de ganhar a mim e a todos os que investem nesta zona. Mas está a falhar a segurança, uma intervenção estruturada, alargada e contínua nesta rocha que é um risco à segurança pública”.

Há, no entanto, intervenções oficiais já anunciadas para consolidar a rocha que não se ficam apenas por colocar redes que não travam a queda de rochas de grande porte. Mas José da Silva também critica a morosidade por parte das autoridades em ir para o terreno e arrancar com as obras de segurança: “Apanhámos há um ano um grande desgosto quando pedras de grande dimensão caíram no terraço dos apartamentos Onda Parque. Durante mais de um mês esteve uma escavadora a partir pedregulhos. Os rocheiros estiveram cá mas depois tudo caiu no esquecimento ou estão empatados com a burocracia típica deste país, até que a possível morte de civis apresse depois as coisas”.
Ao início da tarde, o centro da Calheta tem as duas praias de areia com quase lotação esgotada. Espaços de estacionamento, mesmo pagos e praticamente debaixo da rocha, já não existem. Tudo cheio. O sol intenso convida aos mergulhos e ao descanso. Entre a cerveja gelada e os apetecíveis gelados e refeições ligeiras de marisco. Quem conhece a rebeldia da natureza faz aviso à navegação: “O medo guarda a vida”.


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