Rocha da Silva diz que o princípio de que as árvores morrem de pé está posto em causa e defende regras de manutenção futura

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Rocha da Silva alerta para necessidade de avaliar, daqui para a frente, a legislação e a manutenção de árvores deste porte. Foto Rui Marote

Rocha da Silva, antigo diretor regional de Florestas, está no Monte a acompanhar as peritagens levadas a cabo em consequência da queda de uma árvore, um carvalho, que no Largo da Fonte matou 13 pessoas e feriu 51 no dia do Monte, 15 de agosto, quando milhares de pessoas aguardavam pela saída da procissão. Aquele técnico segue os trabalhos representando a Diocese do Funchal, que o convidou para o efeito.

Fui vilipendiado por tirar árvores da Quinta Rocha Machado

Rocha da Silva está num momento de lembrança, relativamente a acontecimentos do passado, diz para isso que “o mundo é redondo e as histórias repetem”. Tudo para rebuscar o que fez na Quinta Rocha Machado, onde, como refere, “retirámos de lá uma série de árvores e identificamos que elas estavam afetadas no seu estado de saúde. Qualquer árvore que apresente pernadas secas sem qualquer razão aparente, significa que o seu sistema radicular está atingido. E nessa altura, o meu nome foi vilipendiado e discutido o motivo pelo qual as árvores foram retiradas. E inclusive , houve uma pessoa com reputação e bastante credível na praça, que na altura afirmou que as árvores tinham o direito de morrer em pé”.

Discutir estas árvores em espaços públicos

Reconhece que “as árvores podem morrer em pé, têm todo o direito de permanecer, sobretudo protegendo os ecosistemas florestais. Agora, quando se encontram em espaços públicos, temos que entender que estas árvores são estruturas, são corpos sujeitos a regras biomecânicas e sujeitas à lei da gravidade, como massa em que estão. E a partir do momento em que seu lenho está afetado, o seu equilíbrio também está. Nós próprios, podemos ter a nossa capacidade de equilíbrio, mas se fraturamos o dedo mindinho, ficamos em desequilíbrio”.

Ponderar entre preservar e a segurança das pessoas

Para Rocha da Silva, é preciso ponderar “entre o preservar a árvore e a segurança das pessoas, que naturalmente usufruem deste espaço ou qualquer outra via pública”. Não tem dúvidas, do ponto de vista técnico, que aquela árvore “estava em fim de ciclo de vida, como porventura estarão outras”, sublinhando que o futuro passa, por um lado “por uma batalha jurídica relativamente ao assumir de responsabilidades”, mas também “por uma presumível batalha política atendendo à época e aos episódios que aí vêm”.

Região e Câmara têm técnicos competentes

A vinda de técnicos do Continente poderá significar que a Região não tem técnicos à altura de uma avaliação desta natureza? Rocha da Silva recusa essa leitura, diz que “tanto a Madeira como a própria Câmara do Funchal dispõem de técnicos muito competentes”, mas diz que não leva a mal “atendendo à dimensão da tragédia e a tudo o que a mesma implica”. Considera que é natural que “a Câmara procure pareceres fora da Região, mas é importante que todas as partes envolvidas estejam representadas para que haja uma articulação e uma perfeita sintonia entre avaliações e medidas”.

Cultura posta em causa e matéria legislativa adequada

Rocha da Silva diz que, a partir de agora, surge outro debate: “A cultura de que as árvores são intocáveis está posta em causa. E até é bom perceber, em matéria legislativa, inclusive em defesa dos próprios técnicos que andam nesta área, se surgem regras de manutenção, do estado sanitário, de árvores com estes portes”.

Aquele carvalho ia cair um dia

Afinal, foi o carvalho que caíu ou foi uma “pernada” de um plátano que fez precipitar o carvalho sobre a população. O antigo diretor regional de Florestas diz que não viu e sabe que houve uma testemunha que apontou nesse sentido. No entanto, o ponto fulcral é que, em sua opinião, “fosse como fosse, aquele carvalho, como estava, se não caísse naquele dias, caía noutro qualquer”.


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