Rui Marote
Por todos os cantos da cidade, em cafés, supermercados, praças, jardins e lojas no centro do Funchal, a língua castelhana começa a tornar-se mais sonante, numa cidade cada vez mais cosmopolita.
Geralmente, os madeirenses só uma vez por ano, durante as suas férias no vizinho arquipélago de Canárias, costumavam ouvir falar espanhol. Aqueles que podiam viajar para lá, claro.
Hoje essa língua é uma realidade na Região e podê-la-emos considerar, muito em breve, a segunda mais falada na ilha.
Os nossos conterrâneos regressam à “Terra Prometida”, assim como os judeus deixaram o Egipto libertando-se da escravatura do Faraó. Os luso-venezuelanos regressam à terra de seus pais libertando-se da tirania de Maduro.
Nos próximos meses aguardam-se cerca de quatro mil emigrantes na Venezuela de retorno à Madeira, que deixam o ex-El Dorado em busca de uma nova vida, num êxodo que poderá assumir contornos preocupantes.
Mas nem tudo são tristezas: há quem não tenha posto todos os ovos no mesmo cesto. Alguns dos nossos compatriotas têm um pé na Venezuela, outro pé nos Estados Unidos e começam a investir na Madeira.
Compram edifícios emblemáticos e com historia no centro do Funchal, alguns dos quais encerrados há décadas. É um “lavar a cara” aos centros históricos da Sé e São Pedro. Formam grupos de vários sócios que investem nestes edifícios degradados, munindo-se de arquitectos para manter toda a traça original das fachadas, transformando os interiores para turismo de cidade ou para habitação, tentando inverter a desertificação do centro do Funchal, que se vinha notando com particular incidência na freguesia da Sé.
O Funchal Notícias divulga os seis locais onde os projectos apresentados a Câmara estão aprovados.
O edifício da Cajú (ex-supermercado), na esquina da Rua da Carreira com a Rua do Surdo.
Os prédios na esquina da Rua de João Tavira com a Rua Câmara Pestana, onde funcionou a seguradora Açoreana – Banif e onde há 40 anos atrás era o Ramos & Ramos, loja de artigos eléctricos, e no último andar a sede do hóquei em patins do Clube Sport Madeira. Hoje com fachada já recuperada. Outro é o edifício anexo onde funcionou a loja de ferragens dos Rebelos.
Na Rua das Hortas, compraram o prédio do Martins e Rebelo (latícinios) e o edifício anexo onde funcionou a sede do Sindicato de Hotelaria.
Na Rua dos Aranhas junto ao edifício da D. Mécia, que pertencia há muitos anos ao Cine Parque, muito brevemente entrará em recuperação.
Mas os emigrantes continuam a queixar-se das burocracias que vêm encontrando e que travam o andamento das obras, algumas das quais da própria banca.
Um grupo de emigrantes americanos esteve em vias de comprar o Madeira Palácio, hoje pertença da banca. Tinham assegurado o investimento num banco americano, mas a banca portuguesa hoje é X e no outro dia é Y, o que levou a desistir.
Os emigrantes estão dispostos a investir, mas continuam a manifestar que continuam a ser roubados e não tem confiança nas instituições bancárias.
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