Crónica Urbana: vinda de ministro da Defesa às Selvagens pode estar por um fio

Rui Marote

Na ordem unida militar há uma voz de comando muito frequentemente usada em desfiles e paradas: “primeira forma” para alterar a ordem mandada executar.
Está previsto desde há muito que o Ministro da Defesa (hoje debaixo de fogo) deverá visitar a Selvagem Grande na companhia de altas patentes da Marinha, conhecendo as novas instalações da Polícia Marítima naquela ilha.
O programa está a cargo do Comando Naval da Madeira em concordância com o chefe de Estado Maior da Armada.
Todavia, a voz de comando “Primeira Forma” poderá acontecer de um momento para o outro.
Está prevista a vinda expressa de uma fragata à Região, para levar as entidades e convidados àquela ilha.
Mas as águas em que navega o Ministério da Defesa estão em alerta laranja, numa tempestade  que pode passar a ciclone.
O Ministro, na próxima sexta-feira, vai responder à Assembleia da República acerca do desvio de materiais de guerra nos paióis em Tancos.
No programa está previsto a comitiva do ministro deslocar-se de Lisboa para a Madeira no avião Falcon da FAP. com chegada às 20h30 de sexta-feira e saída do Funchal na fragata às 22h30.
Tudo isto está preso por arames: hoje temos Ministro, amanhã a cadeira poderá estar vazia e a viagem às Selvagens pode abortar.
Parece que a ida às Selvagens acontece sempre em período “selvagem”. Vamos recordar Cavaco Silva: foi às Selvagens numa altura em que o governo de Passos Coelho recebeu a demissão de Paulo Portas, num contencioso com o Ministro das Finanças, numa altura que a sua saída era “irrevogável”. Apesar desse episódio, Cavaco não adiou e a viagem foi concretizada.
Desta vez temos de aguardar para que não fique em águas de bacalhau a inauguração das novas instalações.
As Selvagens são sempre Selvagens…


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