Fotos Catarina Rocha
A tragédia do 20 de Fevereiro de 2010 marcou de forma indelével a sociedade madeirense. E se é verdade que cedo se iniciaram os trabalhos de limpeza e remoção do entulho, das areias, e das pedras que, arrastados pela fúria das águas, transbordaram das ribeiras que atravessam a cidade do Funchal, não é menos verdade que, sete anos depois e muitos milhões gastos, inclusive da Lei de Meios, espanta o olhar do cidadão mais avisado que, numa cidade turística como é a nossa, não tenha sido possível melhorar coisas tão simples como os muros das ribeiras.
Optou-se, antes, pela cimentização obsessiva do nosso património, as muralhas construídas pelo brigadeiro Oudinot, e, nos locais onde ainda tal não se fez, como a ribeira de João Gomes, é este triste panorama que se depara aos olhos do visitante. Feios muros que eram para ser provisórios, canos horripilantes, e um emaranhado de ferros. Sete anos, assim.
Nem vamos enveredar aqui por considerações políticas, sobre os milhões que foram gastos aqui ou acolá. Nem vamos fazer referência àquilo que os partidos políticos têm posto a nu, nomeadamente o muito que ainda falta fazer depois do 20 de Fevereiro, na consolidação das escarpas das zonas altas, nos cuidados a ter a montante, de onde vêm as enxurradas de água e de pedras, causadas por fluxos de água cada vez mais apertados. Hoje, 20 de Fevereiro, lançamos simplesmente um olhar singelo sobre uma das ribeiras do Funchal, que atravessam o centro da cidade. Enquanto abaixo se gastava não pouco dinheiro a juntar fozes das ribeiras de Santa Luzia e de João Gomes, numa opção muito contestada, algumas centenas de metros acima, ao longo de sete anos, não foi possível reparar isto.
E às tantas, interroga-se o cidadão, não será até melhor assim… Pelo menos ainda se conseguem ver as antigas muralhas de pedra que fazem parte do nosso património e que ao longo de centenas de anos protegeram a cidade das águas impetuosas, em alturas de chuva. E que agora são declaradas obsoletas, face ao betão que tudo soluciona.
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