João Atanázio garante: A Turma do Funil derrubou preconceitos em relação a Câmara de Lobos

Quem não se lembra das grandes alas de jovens, intrépidos dançarinos? A malta de Câmara de Lobos marcou um estilo desde a sua estreia, em 1988.
João Atanázio comanda os ensaios da Turma do Funil- Foto: Fabíola Sousa
João Atanázio comanda os ensaios da Turma do Funil- Foto: Fabíola Sousa

Fundado há 29 anos por João e Cecília Atanázio, professores de música, o grupo “A Turma do Funil” foi o primeiro, fora do Funchal, a arriscar no grande cortejo carnavalesco da Madeira.

Uma decisão difícil e que à partida desafiava preconceitos.
Mentores e participantes apegaram-se então à coragem e à determinação como forma de ultrapassar receios e inseguranças. Afinal, eram um grupo inexperiente composto por jovens sem formação artística, muitos deles oriundos de meios socialmente vulneráveis, e que nunca haviam atuado perante uma audiência tão vasta.
“Ninguém sabia muito bem como iria resultar. A maior parte das miúdas mostravam até alguma vergonha e houve mesmo quem daqui não fosse ao Funchal assistir com receio do fracasso”, recorda o professor.
João Atanázio acompanha a Turma do Funil a 29 anos- Foto: Fabíola Sousa
João Atanázio acompanha a Turma do Funil há 29 anos- Foto: Fabíola Sousa

Passando em revista as últimas três décadas, os mentores admitem que foi necessária uma certa dose “loucura” para levar o projeto em frente. As expetativas eram grandes quanto à prestação do grupo de Câmara de Lobos.

Afinal, a estreia acabaria por ser um sucesso, conforme lembra João Atanázio. “Fomos a sensação nesse ano”.
O desempenho no cortejo, a organização das alas, a qualidade na concretização dos fatos e adereços surpreenderam a crítica e o público.
“Fomos os primeiros a apresentar uma coreografia muito rigorosa e quase profissional que, veio, depois, a ser seguida pelos restantes grupos”.
Turma do Funil- João Atanázio
Turma do Funil- João Atanázio

Mas, a grande conquista de “A Turma do Funil” foi mais profunda. Tocou na autoestima do grupo e do próprio concelho. “Ao passarmos a margem para o Funchal, ocorreu igualmente uma mudança de mentalidades. Derrubamos preconceitos”, assegura o responsável. “Assistiu-se a uma transformação social e cultural de Câmara de Lobos, a partir da nossa estreia. Surgiram mais grupos, mais artistas, mais trupes. Não tenho dúvidas: a Turma do Funil está na base da revitalização do património cultural e musical do concelho, nos últimos tempos, como também a nós se deve a promoção deste povo e da imagem de Câmara de Lobos”.

A Turma do Funil em 2012
A Turma do Funil em 2012

À beira de completar 30 anos à frente do projeto, altura em que prevê passar o testemunho a outros elementos, João Atanázio ainda se emociona ao olhar para os jovens que ensaiam afincadamente nestas últimas semanas que antecedem o Carnaval. “O que me dá ânimo é ver a alegria desta malta jovem que aqui encontra motivação e valores, em vez de estar desocupada. A nossa intervenção vai para além do espetáculo. É um trabalho pedagógico, com certeza, e socialmente relevante, com grandes benefícios ao nível social, físico e mental”.


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