
Fundado há 29 anos por João e Cecília Atanázio, professores de música, o grupo “A Turma do Funil” foi o primeiro, fora do Funchal, a arriscar no grande cortejo carnavalesco da Madeira.

Passando em revista as últimas três décadas, os mentores admitem que foi necessária uma certa dose “loucura” para levar o projeto em frente. As expetativas eram grandes quanto à prestação do grupo de Câmara de Lobos.

Mas, a grande conquista de “A Turma do Funil” foi mais profunda. Tocou na autoestima do grupo e do próprio concelho. “Ao passarmos a margem para o Funchal, ocorreu igualmente uma mudança de mentalidades. Derrubamos preconceitos”, assegura o responsável. “Assistiu-se a uma transformação social e cultural de Câmara de Lobos, a partir da nossa estreia. Surgiram mais grupos, mais artistas, mais trupes. Não tenho dúvidas: a Turma do Funil está na base da revitalização do património cultural e musical do concelho, nos últimos tempos, como também a nós se deve a promoção deste povo e da imagem de Câmara de Lobos”.

À beira de completar 30 anos à frente do projeto, altura em que prevê passar o testemunho a outros elementos, João Atanázio ainda se emociona ao olhar para os jovens que ensaiam afincadamente nestas últimas semanas que antecedem o Carnaval. “O que me dá ânimo é ver a alegria desta malta jovem que aqui encontra motivação e valores, em vez de estar desocupada. A nossa intervenção vai para além do espetáculo. É um trabalho pedagógico, com certeza, e socialmente relevante, com grandes benefícios ao nível social, físico e mental”.
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