Auschwitz-Birkenau foi libertado há 72 anos; hoje, permanece como um aviso para o mal de que os homens são capazes

dsc00125.jpg

Fotos: Rui Marote

Completam-se hoje 72 anos desde que as forças soviéticas libertaram, em 1945, o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia, um lugar de extermínio onde pereceu cerca de um milhão de pessoas, embora os números exactos sejam difíceis de apurar, uma vez que os nazis destruíram muitos documentos no final da Segunda Guerra Mundial, procurando encobrir os seus macabros feitos.

dsc00143.jpg

Auschwitz permanece hoje um símbolo do horror da guerra e da intolerância, e é mantido como tal como herança para a humanidade, para que as pessoas nunca mais se esqueçam do que ali aconteceu e de todo o mal de que são capazes. Actualmente, encontram-se em cuidadosa reconstrução várias casernas do campo, seguindo os mesmos métodos que os prisioneiros que as construíram usaram para as erigir.

dsc00081.jpg

O objectivo é preservar o campo, que é anualmente visitado por milhares de pessoas, do modo mais fiel ao que era em 1945, como um memorial aos milhares de vítimas. De tal forma era eficiente o campo que muitos prisioneiros, entre os quais mulheres, crianças e idosos, iam directamente para as câmaras de gás mal saíam dos comboios que adentravam os portões de Auschwitz, nunca chegando sequer a ser registados como mortos. Um estudo elaborado por um prestigiado estudioso polaco situa os números dos que faleceram naquele local por volta de 960 mil judeus, 140-150 mil pessoas de etnia polaca e 23 mil ciganos. Mas tudo isto são, ao fim e ao cabo, meras estimativas. Estima-se que 232 mil crianças e adolescentes – dos quais 216 mil judeus – tenham sido deportados para Auschwitz enquanto o campo se encontrava em pleno labor.

dsc00118.jpg

Originalmente criado para albergar prisioneiros políticos da Polónia, o campo cedo se assumiria como um dos mais eficientes cumpridores da chamada ‘Solução Final’ – o extermínio dos judeus da Europa, cumprindo os desígnios de Hitler e dos seus apaniguados.

dsc00149.jpg

Os 7500 prisioneiros que permaneciam em Auschwitz em 1945 foram libertados a 27 de Janeiro pela 322ª Divisão de Atiradores do 60.º Exército de Frente Ucraniana do Exército Vermelho, que se depararam, estupefactos, com montanhas de artefactos a demonstrar o genocídio, incluindo 348.820 fatos de homem e 836.255 vestidos de mulheres, além de montes de óculos, cabelos humanos e sapatos, muitos dos quais de tamanhos de criança.

dsc00111-1.jpg

Durante muito tempo, os Aliados não deram o devido crédito aos relatos que lhes chegavam de Auschwitz, considerando-os exagerados. Ninguém parecia querer acreditar que tais horrores fossem possíveis, incluindo a destruição calculada e sistemática de seres humanos a uma escala industrial e experiências “científicas” horrivelmente mórbidas, como as praticadas pelo médico Dr. Josef Mengele, conhecido como ‘O Anjo da Morte’, em mulheres grávidas, crianças, gémeos e anões, entre outros. Só no final da guerra se descobriu a terrível verdade, a que se seguiram os julgamentos por crimes contra a Humanidade, com muitos nazis a serem condenados à morte na forca.

dsc00074.jpg

Hoje, visitar Auschwitz constitui um momento de penosa mas intensa reflexão sobre o lado mais negro da natureza humana. Representa, ainda, assumir a História como uma dura lição para o futuro, para que determinadas coisas não mais voltem a ensombrar a chamada “civilização”, que por vezes revela não passar de um verniz demasiado leve e frágil sobre a animalidade ainda inerente à raça humana. As imagens captadas pelo repórter fotográfico do FN assim o testemunham.


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.