
Entre as primeira decisões da nova provedora da Santa Casa da Misericórdia de Machico, esta será porventura a mais difícil e a mais controversa: hoje deu-se o encerramento, que Nélia Martins considera “temporário”, do centro médico do Porto da Cruz, uma valência da Santa Casa, inaugurada em dezembro pela anterior direção de Luís Delgado, numa cerimónia onde estiveram presentes diversas entidades.
Nélia Martins invoca várias razões para esta decisão, que admite ser difícil, apontando a falta de licenciamento, por parte do IASAÚDE, a inexistência de condições do próprio edifício onde se encontra instalado o serviço, com infiltrações de água, além do equipamento insuficiente para o funcionamento em pleno e ainda os custos operacionais que seriam suportados pela Santa Casa.
A população do Porto da Cruz ficou surpreendida com a situação, sobretudo porque se tratou de um investimento inaugurado nem tem um mês, para mais com a presença de entidades com responsabilidades em diferentes áreas, “estranhando-se por isso que a inexistência de licenciamento possa ter, ainda assim, permitido a abertura”.
Nélia Martins afirma que já reuniu com o presidente da junta de freguesia do Porto da Cruz, que se mostrou interessado na existência de um serviço médico para a população, pelo que, em função de estudos que a nova direção da Santa Casa irá fazer, com avaliações de sustentabilidade, promete ser objetivo desta nova equipoa dirigente, a breve prazo, “reabrir o espaço devidamente licenciado e devidamente equipado, além de custos bem pensados, no sentido de proporcionar o serviço à população do Porto da Cruz sem colocar em causa o equilíbrio financeiro da Santa Casa, cujo propósito prioritário e imediato ao nível de despesas está no pagamento dos funcionários, que se encontra em atraso”.
Os novos corpos diretivos, que tomaram posse terça-feira, visitaram as instalações do centro médico, tomaram conhecimento de todas as situações que envolviam aquele espaço, que tem duas funcionárias e um médico afeto, sendo que Nélia Martins refere que havia somente uma consulta marcada para o dia 11.
Recorde-se que as eleições para a Santa Casa da Misericórdia de Machico decorreram sob o signo de alguma tensão latente, em função de questões que se prendiam com eventuais ilegalidades apontadas na recandidatura da lista de Luís Delgado, que desempenhava desde 1993 as funções de Provedor. Uma decisão do tribunal, transitada em julgado, era invocada pelos críticos de Delgado como sendo impeditiva da respetiva recandidatura, facto que fontes ligadas à anterior direção consideravam improcedente, uma vez que não impedia legalmente que Delgado fosse a votos. No final, venceu a lista de Nélia Martins, numa clara demonstração dos sócios para uma mudança de orientação na SCMM.
Lembre-se ainda que na tomada de posse, foram revelados por Nélia Martins procedimentos que Delgado terá tomado a poucos dias do final do ano e, consequentemente, perto da tomada de posse da nova Provedora. Desde logo, o pagamento de vencimentos a funcionárias do infantário Rainha Santa Isabel, um montante, ao que se diz, para equipar o centro médico do Porto da Cruz, e ainda valores correspondentes ao cartão de crédito.
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