Lambuzam o Porto Santo no verão e abandonam-no à sorte de D. Quixote e Sancho Pança

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Ilustração de José Alves.

Todos os anos a mesma sina: o abraço no verão ao Porto Santo e o desprezo no outono e inverno. Alguém se lembra que por lá habitam Pessoas como nós, com direito ao trabalho, à atenção, numa palavra, à dignidade de duplamente insulares?

No verão, todos lambuzam o Porto Santo com mimos e carícias. Não há melhor praia, melhor descanso e melhor refúgio do mundo frenético urbano. Nas estações seguintes, com a devida vénia a Cervantes, percorrem a Praia Dourada apenas e só D. Quixote e Sancho Pança, na contínua e errante busca de um ideal. Sim, o ideal de pôr fim a um amor a curto prazo, de conquista efémera, para depois votar ao esquecimento. A utopia de tornar o Porto Santo apetecível todo o ano, apesar do frio, do vento e da quietude que lhe é típica e lhe enche de ternura e encanto.

Criatividade é o que não falta aos homens para virar as regras do jogo. Tudo existe na Ilha Dourada. Então, porque permanece na areia fria da Ilha a solidão do exílio de D. Quixote e do seu fiel escudeiro? Também eles não se identificam com o golfe, as grandes obras sem retorno, as grandes miragens, mas tão só, a presença humana. Há aqueles que preferem os alpes para as férias invernosas, há quem se bronzeie no Brasil, Dubai e em Miami… e o Porto Santo, ali, tão perto, a pedir um abraço…


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