Foi o homem que, enquanto Primeiro-Ministro, sendo ministro das Finanças, Sousa Franco, sob o pretexto de ressarcir a Madeira das percentagens devidas pelas privatizações, assumiu 110 milhões de contos (550 milhões de euros) antes da entrada em vigor da primeira 1.º Lei de Finanças Regionais que, em 1998, veio clarificar o relacionamento financeiro entre o Estado e as Regiões Autónomas.
Podem ter sido retiradas de contexto, proferidas no calor da luta política, mas tem interesse jornalístico aqui recordar algumas das frases que o ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim disse sobre o Eng. António Guterres, eleito secretário-geral da ONU, a quem chegou a prometer dar, politicamente, um “pontapé no traseiro”:
-Março de 1992: O PS mantém as acusações lançadas em fevereiro de 1992 pelo então secretário-geral do partido, António Guterres, no congresso, sobre “situações e factos graves” que se vivem na Madeira, tendo considerado que as regras democráticas típicas de um país moderno se devem aplicar em todo o território, continente e Regiões Autónomas.
-A resposta veio sete meses depois, Outubro de 1992: Jardim cantou para o então secretário-geral do PS, António Guterres, a música do cantor madeirense Max “A Mula da Cooperativa”, num comício de encerramento da campanha eleitoral do PSD-M para as legislativas regionais.
-Setembro de 1995: O então líder do PS, António Guterres disse que continua a haver “défice democrático” da Madeira, horas antes de embarcar para o Funchal para participar num comício de pré-campanha.
-Resposta de Jardim: “O clima de elevação com que a campanha eleitoral estava a decorrer cessou no dia em que o Engenheiro Guterres veio à Madeira poluir a Região” (11 setembro 1995), disse Jardim depois de uma visita do então dirigente socialista à Região antes de se tornar primeiro-ministro (outubro de 1995).
-Setembro 1995: “Não admito que um idiota que nada fez pelo país se atreva a denegrir o trabalho” feito pela Madeira, jantar-comício de abertura de campanha eleitoral no Mercado Abastecedor do Funchal, referindo que as incompatibilidades com o secretário-geral do PS, António Guterres, deixaram de ser políticas para serem de “homem para homem”.
-Março 1996: Numa entrevista à Rádio Jornal da Madeira, Jardim, qual professor Marcelo, deu “11 valores, numa escala de 0 a 20, aos primeiros seis meses da governação de António Guterres”.
-Julho de 1996: “Eles [deputados do PSD-M na Assembleia da República] não podem votar contra pessoas que se têm portado bem com a Região”, disse Jardim na Assembleia Regional (debate sobre o “Estado da Região”), admitindo a possibilidade dos deputados pela Madeira viabilizarem o Orçamento do Estado do Governo de António Guterres, os quais acabaram por se abster na votação.
-Setembro 1996: “Desde que mudou o Governo da República tem havido muitos progressos na vida democrática madeirense”, afirmou o secretário-geral do PS, António Guterres, na sala de imprensa do Aeroporto da Madeira respondendo a uma questão sobre a existência de “défice democrático” que havia declarado existir na Região.
-Julho 1999: “António Guterres é mafioso, fariseu, aldrabão e caloteiro. Está tonto e em termos políticos na Idade Média”, disse Jardim na Festa do PSD-M, no Chão da Lagoa, criticando o então primeiro-ministro por o ter acusado de ser “contra a unidade nacional”, ao dever 12 milhões de contos (60 milhões de euros) de fundos estruturais à Madeira e por não cumprir as promessas eleitorais que havia feito. “Acabemos com a hipocrisia e digamos que Guterres, qual cavaleiro do Apocalipse, é perigoso”, rematou Jardim.
Seguiu-se o ‘pântano’ e Guterres deixou o Governo da República em abril de 2002.
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