Porto cheio, turistas na cidade, Sé fechada

* Com RUI MAROTE

O encerramento da Sé à hora do almoço não é de agora, mas numa altura em que o turismo de cruzeiro enche as ruas do Funchal questiona-se da pertinência desta medida e que impactos poderá ter na imagem do destino.

(Foto Rui Marote)
(Foto Rui Marote)

Têm sido vários os alertas de funchalenses a dar conta de grupos de turistas impedidos de entrar num dos mais emblemáticos monumentos da Madeira e do país, em plena luz do dia, devido ao horário de funcionamento que prevê encerramento entre as 12 e as 16 horas. Ora, o período de maior movimento na cidade.

O nosso repórter registou a cena, no mínimo triste, de largas dezenas de pessoas paradas a olhar para a catedral de estilo Manuelino, um monumento incontornável para quem vista o Funchal.

Com as portas encerradas, guias e turistas limitam-se a ficar pelo adro, abandonando o local sem cumprirem o seu objetivo: desfrutar de um espaço icónico da história do Portugal Atlântico.

Em Lima, no Peru, em Santiago do Chile, as catedrais encerram apenas durante o período noturno. Tal como cá, a entrada em livre, havendo pagamento de uma taxa durante os atos litúrgicos.

Embora compreendendo que a missão de um templo religioso não passará por objetivos turísticos, o certo é que são eles também motores de atração de visitantes e promotores culturais que não devem ser esquecidos na diferenciação de um destino.sé2

Imaginemos se, em Roma, igual procedimento se aplicasse à Basílica de São Pedro, ou se, em Jerusalém, se encerrasse o Santo Sepulcro nas horas de maior afluência de visitantes à Cidade Santa.

O apelo a um acordo entre a Diocese do Funchal e as autoridades públicas, no sentido de garantir a abertura permanente durante o dia, já foi deixado pelo FN nas vésperas da Festa da Flor.

No entanto, e porque lá diz o ditado “Se queres depressa e bem, não esperes por quem”, lembramos aos milhares de católicos madeirenses que o voluntariado é sempre de aplaudir. Haja boa vontade.