Debate ‘radioactivo’ na Assembleia Regional

assembleia legislativa Madeira

A hesitação do candidato comunista madeirense ás eleições presidenciais, Edgar Silva, no debate televisivo de ontem com Marisa Matias, do Bloco de Esquerda, quando lhe foi colocada a questão de se achava ou não que a Coreia do Norte era uma ditadura, bem pode sair-lhe cara e ao PCP. E isso mesmo acabou por ficar patente hoje de manhã no parlamento regional, aquando da discussão de um projecto de resolução da autoria do PCP, que preconiza uma actualização das medidas de segurança para fazer face ao perigo dos materiais radioactivos.

É que os outros deputados não perdoaram e perguntaram se a posição dúbia do PCP em relação a um regime que conduz testes não autorizados com bombas de hidrogénio, à revelia do Conselho de Segurança da ONU, e que tem um amplo historial de militarismo, de culto da personalidade do líder e de violação flagrante dos direitos humanos também não preocupa os comunistas madeirenses. Questões que foram colocadas, por exemplo, pelo deputado independente Gil Canha, e que motivaram uma intervenção do deputado do Bloco de Esquerda, Rodrigo Trancoso, considerando acessória essa discussão, porque o que os eleitores madeirenses querem saber é de facto como a segurança se processa na Região. De qualquer modo, e não estranhamente, Trancoso fez questão de contrapor à posição do PCP a do Bloco, e de Marisa Matias, a candidata presidencial que o BE apoia: repúdio total de todos os regimes violadores dos direitos humanos.

Quanto à resposta a esta matéria, o assunto da Coreia do Norte, por parte de Sílvia Vasconcelos, deputada do PCP, foi a mais infeliz possível, ao considerar: “Não temos nada com isso”. Uma forma de tornear o assunto ainda menos subtil que a de Edgar Silva.

Carlos Costa, deputado do JPP, abordou muito a sério a possibilidade de um atentado terrorista ma Madeira, que não considerou nem mais nem menos a salvo de tal triste evento do que qualquer outro destino turístico. Até a eventualidade de um ataque com gás sarin foi abordada, o que motivou alguns sorrisos na bancada do PSD e não só. Mas Carlos Costa insistiu que. nos contactos que tem mantido com autoridades policiais e bombeiros, lhe tem sido transmitida a ideia de que a Madeira não está minimamente preparada para tal e que isso seria “uma desgraça”, se ocorresse, pela incapacidade de responder a um tal acontecimento.

Gil Canha, na senda de uma denúncia feita pelo deputado do PTP, Quintino Costa, exortou o executivo municipal de Santa Cruz, onde o JPP é poder, a preocupar-se mais com outros assuntos mais prementes, como a passagem constante nos túneis da via rápida no concelho, de camiões cisterna transportando gás natural, uma substância altamente explosiva e de elevada perigosidade, e que noutras zonas do mundo só pode ser transportada durante a noite, para minimizar o impacto de um eventual acidente, mas que. afirmou,  circula vulgarmente na via rápida durante o dia.

Carlos Costa respondeu que a questão seria melhor colocada aos serviços de Protecção Civil.

Rómulo Coelho, do PSD, acabou por lamentar o “alarmismo” criado com esta discussão, considerando que a radioactividade está presente nas nossas vidas, até nos telemóveis, e que ao discutir e tomar medidas sobre matérias deste género, é necessário ter em conta a forma como tal poderá ter impacto na população, preocupando-a desnecessariamente, ou mesmo afectar o turismo.

Exortou, portanto, Sílvia Vasconcelos a dar conhecimento de eventuais situações perigosas ou violadoras da lei às entidades competentes.


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