Nós não somos parvos

icon-joao-lucasNão, Nós não se refere à empresa de telecomunicações que está a dar um bailinho, tanto quanto transparece à opinião pública, à sua concorrente MEO, neste negócio dos conteúdos. O assunto está na berra e merece atenção.

Nós somos todos nós, o povo anónimo, que não se pavoneia nos corredores do poder ou que ascendeu, de uma ou de outra forma, aos gabinetes de administração das principais empresas.

E já agora, que estamos a falar deste assunto dos conteúdos desportivos, quem vai pagar no final das contas este negócio multimilionário seremos nós, não sejamos anjinhos, na medida em que este mercado caminha tendencialmente para o duopólio e, no final das contas, os custos serão suportados por Nós. Os clubes agradecem, pois disporão de uma oportunidade de ouro para o saneamento dos seus passivos.

Nós devíamos de nos revoltar, correr com esta corja política que nos tem governado e com este sistema financeiro poluído.

Ao sermos confrontados com esta vergonha – mais uma! – do Banif, apetece desistir de vez deste país de cambalachos e de vigaristas. Apetece ir para a praia e apreciar a beleza passante, beber uns canecos, dormir umas sonecas e fazer de conta que tudo está bem. 150 milhões de euros por um banco chamado Banif?! Só em Portugal!

Mas depois a consciência pesa mais alto e faz-nos impelir para a frente de combate, da denúncia e da crítica construtiva. É esta consciência de Nós que ainda nos faz acreditar no futuro deste país.

O desfecho do Banif permite afirmar que o supervisor só está em linha para emitir uns relatórios estruturados, mas de supervisão, afinal a sua principal actividade, muito pouco! Principalmente depois do caso BES. Uma autêntica falácia! Mas acreditam que alguém ficará chamuscado nesta fogueira?! Puro engano! Toda esta rapaziada sairá a assobiar para o lado e a culpa, afinal, é nossa, sim Nós.

Para já os Nós injectarão neste assunto mais 3 mil milhões de euros! Por enquanto, está bem de ver, porque se for preciso mais cá estaremos para cobrir.

Como contrapartida iremos delapidando o estado social, ou os funcionários públicos e os reformados. Estes últimos que não tem voz! Bolas, não sou bloquista ou “PCPista”, mas é evidente que teremos de anuir com algumas das suas críticas.

E as gorduras do Estado eternizar-se-ão, pois não convém mexer com as capelinhas instaladas, os amigalhaços, os jogos de interesse. Afinal há eleições de vez em quando e é preciso ir mantendo nos corredores do poder os amigalhaços.

O Nicolau Santos, no Expresso, dizia há dias que o sistema bancário português delapidou 40 mil milhões de euros desde 2008. Como? Empréstimos sem garantias reais, falências em catadupa na sequência da crise, administradores da massa falida reconhecendo a impossibilidade do pagamento dos passivos, custos transferidos para o sistema bancário. E depois, de vez em quando, um banco colapsa. Alguém foi preso? Mas estamos a falar de verdadeira vilanagem!

Os 40 mil milhões de euros não sumiram pelo buraco negro, qual nada, foram parar a alguns bolsos.

Claro que o sistema financeiro é fundamental em qualquer economia, não estamos a falar de uma coisa de somenos. Para quantificarmos adequadamente do que estamos falando, à data do terceiro trimestre de 2015, o total de activos do sistema financeiro português era de 414 mil milhões de euros, 2,3 vezes o valor do PIB. Consequentemente, se a supervisão e controlo por parte da entidade do país deixa muitos reparos, referimo-nos ao Banco de Portugal, poderemos sempre encontrar destes exageros de administração e gestão que conduzem à falência de alguns bancos.

É mais do que evidente a necessidade de reconstrução do sistema financeiro, pela captação de personalidades competentes e honestas, pela reimplantação dos verdadeiros valores de sã gestão e por um verdadeiro sistema de controle e supervisão que detecte e impeça, em tempo útil, as disrupções no funcionamento do sistema financeiro.

Bom ano.

 

 


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