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Os militantes do ISIS (Islamic State in Iraq and Syria) são aos milhares e são recrutados pelo mundo inteiro. Portugal não é exceção. São o grupo extremista do Estado Islâmico e anunciam de várias formas, bem visíveis, os seus valores e crenças. Avançam pela Europa munidos da sua bandeira destroçando espaços e vidas. Impõem a autoridade religiosa sobre os muçulmanos e pretendem controlar as regiões de maioria islâmica e a Europa, segundo notícias e acontecimentos recentes.
As redes sociais são fontes de recrutamento e existem muitos europeus que escolhem fazer parte desta organização. Há portugueses entre estes militantes, que lutam e morrem pela ideologia deste grupo extremista do Médio Oriente. Crentes nos princípios do Estado Islâmico, estão dispostos a sacrificar a vida para que os objetivos do ISIS sejam cumpridos. Quem são estes portugueses e o que os leva a tomar esta decisão?
A identidade de alguns destes portugueses já foi revelada, alguns também já perderam a vida pela causa.
O jornal Notícias Ao Minuto procurou saber quais as motivações destes portugueses e pediu à psicóloga Filipa Silva que elaborasse um perfil destes jovens.
“Pode levantar-se a possibilidade de em comum os unir uma sensação de distanciamento da forma de funcionamento da sociedade europeia, quer por contacto direto ou indireto com a discriminação e desigualdade, quer por denotarem uma ausência de valores morais fortes”, começa por considerar.
A realidade é que uns são de origem africana, outros são lusodescendentes. Uns fizeram a faculdade, outros não gostavam de estudar. Há ainda aqueles que vêm de classes mais baixas e outros das mais altas.
No entanto, poderá ser “a diversidade cultural que, por um lado pode gerar uma sensação de aceitação e abertura à diferença, mas pode por outro lado pode originar um sentimento de desintegração e de falta de identificação com algo mais forte”.
Muitos destes jovens acabaram por ser contactados através das redes sociais, algo que não aconteceria caso não existisse a chamada “aldeia global” em que vivemos, “ligados mundialmente pela internet, o que nos torna acessíveis a mundos outrora inalcançáveis”.
A psicóloga explica ainda ao Notícias Ao Minuto que “a idade é outro fator importante”. Muitos jovens que se têm juntado ao Estado Islâmico encontram-se numa fase de desenvolvimento pessoal crítica, na sua maioria entre os 20 e os 30 anos. “É a altura em que existe um maior corte emocional com a família de origem e em que surgem as grandes questões de independência: que projecto de vida vou construir, que valores vou seguir”, revela.
Esta é uma fase que pode gerar uma enorme frustração, “criando uma janela de vulnerabilidade importante”.
Mas também a educação, o apoio familiar é muito determinante para estes casos, pois sem o devido apoio os jovens iniciam o “mergulho no ‘mundo dos adultos’ com todas as responsabilidades e desafios inerentes, o que os torna mais susceptíveis a aderir a um Estado e a uma religião que lhes transmita a ideia sedutora de segurança financeira, coesão e proteção”.
Estas circunstâncias poderão ter ditado a integração destes portugueses no grupo extremista. Segundo o jornal Notícias ao Minuto são vários os casos que já foram divulgados:
Edgar Rodrigues da Costa, agora conhecido por Abu Zakaria Al Andalusi, de 32 anos, cresceu na zona da linha de Sintra. Era bom aluno e gostava de jogar à bola com o irmão. Acabou por ir para Londres estudar e foi na cidade inglesa que se juntou ao grupo radical. De recrutado passou a recrutador de novos membros, utilizando o Facebook.
Celso Rodrigues Costa, ou Abu Issa Al-Andaluzi, de 29 anos, terá sido influenciado pelo seu irmão Edgar e partiu para Londres para se juntar a ele. Era muito mais extrovertido e acabou por se tornar conhecido depois de em abril de 2014 ter partilhado um vídeo no YouTube, apelando a que mais muçulmanos integrassem a jihad.
Fábio Poças, AbduRahman Al Andalus, de 23 anos, cresceu também na linha de Sintra e também partiu mais tarde para Londres, onde acabou por se tornar amigo de Edgar e de Celso. Sempre gostou de futebol mas depois de ver que não dava frutos começou a ler e a aprender o Corão, sendo o seu destino já esperado, o ISIS. É ainda apontado como um dos braços direitos do carrasco conhecido por Jihadi John, que apareceu em vídeos a decapitar reféns. Casou-se com Ângela Barreto, uma portuguesa, que também integrou o Estado Islâmico.
Nero Saraiva filho de mãe angolana e pai português, estudou em Aveiro e licenciou-se em Engenharia no Porto. Também esteve em Londres, mas depois partiu para a Síria. Foram os amigos Edgar e Celso que o levaram para a jihad.
Sandro Monteiro, ou Funa, de 36 anos, foi o último a alistar-se, depois de uma temporada em Londres. Tal como os amigos, cresceu na linha de Sintra. Já conhecia Edgar e Celso desde a infância. Sandro morreu em combate, em Kobane.
Mikael Batista, Abou Uthman, de 24 anos, de dupla nacionalidade, emigrou para Paris. Partiu para a Síria e é conhecido pelas suas publicações no Twitter em que mostra imagens de cabeças cortadas ou mutilações. Também Mikael morreu em combate, em Kobane.
Mickaël dos Santos, Abou Uthman, de 23 anos, conheceu Mikael Batista em Paris, mas partiu para a Turquia antes do amigo. Foi apontado como um dos suspeitos num vídeo difundido pelo Estado Islâmico que mostrava a decapitação de um grupo de soldados sírios.
Ismael Omar Mostefai, de 29 anos, é um dos terroristas envolvidos nos atentados em Paris. Junto de outros dois abateu dezenas de pessoas que assistiam ao concerto dos Eagles of Death Metal, no Bataclan. Apesar de ter nascido nos arredores de Paris, a sua mãe, Lúcia, é natural da Póvoa do Lanhoso, de onde emigrou há mais de 40 anos.
Dylan Omar, Omar Khattab, é lusodescendente, filho de mãe portuguesa emigrante em França.
Steve Duarte, Abu Muhadjir Al Purtughali, de 26 anos, nasceu na Figueira da Foz e emigrou para o Luxemburgo. Era rapper mas acabou por se converter ao Islão. É este jovem que trabalha para a propaganda do ISIS.
José Parente, Abu Osama Al-Faransi, é outro lusodescendente com raízes francesas. Os seus pais são de Tondela, mas acabaram por emigrar para Toulouse, França. O jovem morreu em 2014 depois de um ataque suicida no Iraque.
Sadjo Turé, 35 anos, também vindo da linha de Sintra, foi radicalizado no Reino Unido depois de conhecer Celso, Edgar, Nero, Fábio e Sandro. Depois de integrar o Estado Islâmico foi morto pelas tropas do presidente sírio Bashar al-Assad.
Catarina de Almeida, de 44 anos, da Guarda, cresceu em França, casou-se com um turco e converteu-se. Dylan de Almeida, de 22 anos, é filho de Catarina e também pertence à jihad.
Luís de Almeida, 26 anos, Cova da Moura, emigrou para Nice, casou-se com uma tunisina e converteu-se.
Fábio Almeida, 26 anos, geria em França uma rede de captação para a jihad. Está preso em Madrid.
Estes portugueses continuam rendidos à crença do islamismo radical e muitos outros podem pertencer à jihad sem o conhecimento das autoridades.
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