Diretor das urgências indignado: “Ainda se morre nos hospitais por falta de assistência”

pedro ramos urgência hospitalIndignação. Não há meias palavras nem desculpas para justificar o que ocorreu, há duas semanas, num dos maiores hospitais do país. O sentimento de profunda revolta foi manifestado, esta quarta-feira, pelo diretor do serviço de urgência do Centro Hospitalar do Funchal relativamente à morte de um jovem de 29 anos num hospital em Lisboa por falta de assistência médica.

Ao FN, Pedro Ramos não poupou críticas ao serviço Nacional de Saúde por aquilo que designou de situação de terceiro mundo. “Em pleno séc. XXI, numa capital de um país membro da OCDE, continuam a morrer pessoas nos serviços de urgências. Estou profundamente indignado. É impensável o que aconteceu em São José, um hospital central que tem todas as condições para prestar cuidados diferenciados e especializados.”

A morte do jovem que viria a ocorrer na madrugada de 13 para 14 dezembro, alegadamente por falta de intervenção cirúrgica na área da neurocirurgia, é, no entender de Pedro Ramos, o desfecho trágico há muito anunciado, inclusive pela Ordem dos Médicos, fruto dos cortes sucessivos e cegos na Saúde, em recursos técnicos e humanos.

“De uma vez por todas, os hospitais têm de contratar mais profissionais de saúde e pagar como deve ser o trabalho dos seus profissionais. Caso contrário, a situação não mudará e de nada servem as demissões à posteriori.”

Face ao caso que tem abalado a opinião pública, levando inclusivamente à demissão de responsáveis da administração de Saúde, o responsável pelo serviço de urgência descarta categoricamente a possibilidade de algo semelhante vir a ocorrer no  Hospital dr. Nélio Mendonça. “Felizmente, a nossa urgência de neurocirurgia seria capaz de resolver aquela situação em tempo útil. É por isso que, muita vezes, o Serviço Regional de Saúde tem melhores respostas que o Serviço Nacional”.

De acordo com os relatos de familiares vindos a público, o jovem entrou a 11 de dezembro na urgência do hospital São José com diagnóstico de hemorragia e hematoma cerebral, provocado por rutura de aneurisma, uma situação que indicaria intervenção urgente de acordo com os protocolos clínicos. No entanto, a operação a que deveria ter sido submetido imediatamente foi adiada para a segunda-feira seguinte, dia 14 de dezembro, já que durante o fim de semana não estaria a funcionar nenhuma equipa de neurocirurgiões. O problema era sistemático e, ao que parece, tinha origem num diferendo entre a administração hospitalar e os médicos quanto aos cortes das horas extras dos médicos aos sábados e domingos.


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