Sem razões para sorrir: saúde oral dos portugueses piora em 2015

dentista saúde oralAs conclusões do II Barómetro Nacional de Saúde Oral revelam que os portugueses pioraram nos cuidados com a boca e os dentes. A crise económica e financeira está a condicionar significativamente o acesso a cuidados de saúde oral. Quase metade dos portugueses não vai ao médico dentista há mais de um ano.

Perto de 47% dos portugueses inquiridos neste estudo não consultam um médico dentista há mais de um ano. Uma situação que se agravou em 2015, com quase 60% a justificar este corte com questões monetárias.

Estas e outras conclusões preocupantes fazem parte do II Barómetro Nacional de Saúde Oral realizado, este ano, pela consultora QSP em todo o país, incluindo as regiões autónomas.

Para o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, “estes dados são preocupantes devido ao impacto que a saúde oral tem nas doenças cardiovasculares, diabetes e outras e que estão intimamente ligadas à alimentação”.

“O que este Barómetro nos mostra”, explica, “é que são as pessoas mais desfavorecidas quem tem maiores dificuldades no acesso a consultas de medicina dentária com consequências terríveis para a saúde em geral”.

Há ainda 7,7% de portugueses que não vão ao médico dentista há pelo menos 5 anos e 34,3% nunca visita o médico dentista ou apenas o fazem em caso de urgência.

O estudo veio também mostrar que as mulheres, jovens, residentes no Interior Norte e de classe social mais elevada são quem mais marca consultas no médico dentista, estando no extremo oposto os mais idosos, habitantes no sul do país e da classe social D, a que tem menores rendimentos.

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As conclusões do Barómetro mostram que apenas 28% dos portugueses têm a dentição completa e que mais de 37% da população tem falta de mais de 6 dentes, uma subida de 5% face ao I Barómetro realizado em 2014. Quando faltam mais de 6 dentes começam a existir problemas de mastigação e há alimentos essenciais que são evitados, até porque 54% dos portugueses que têm falta de dentes não têm nada a substitui-los.

O barómetro revela que apenas uma minoria dos inquiridos consultou um médico dentista por recomendação de outro médico, ou seja, não existe o hábito de marcar consultas para a realização de check-ups dentários.

É uma situação que Orlando Monteiro da Silva considera urgente combater. “A saúde oral não pode continuar a ser vista como um parente menor da medicina. É imperativo que haja uma maior ligação entre as várias áreas da medicina, incluindo a medicina dentária. Só há boa saúde se houver uma resposta integrada”.

A falta de médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde é outro dos problemas realçado no estudo. Para o bastonário, é preciso colocar clínicos desta valência nos centros de saúde e nos hospitais públicos e estabelecer convenções entre o Estado e com clínicas e consultórios de medicina dentária. “Os doentes chegam aos nossos consultórios cada vez mais doentes, estamos a gastar mais dinheiro a curar, quando gastaríamos muito menos a prevenir. A médio prazo sai sempre mais barato prevenir do que curar, seja em comparticipações, seja em dias desperdiçados seja em qualidade de vida”.


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