Grupo de Folclore da Boa Nova celebra centenário de Luis da Paixão Fernandes

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Danilo Fernandes falando aquando da comemoração.

O Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova está a comemorar o nascimento de Luis da Paixão Fernandes (1915-2015). Hoje de manhã, no auditório do Centro Cívico de Santa Maria Maior, decorreu uma iniciativa destinada a assinalar e divulgar o importante papel desempenhado por este homem, fundador daquela agremiação.
Nasceu a 2 de Abril de 1915, no sítio da Boa Nova, freguesia de São Gonçalo, filho de António Fernandes e de Joaquina da Conceição.
Aos cinco anos aprende, com o seu progenitor, a tocar o machete de braguinha, e integra o grupo: “Viva a Sociedade da Música Nova do Canto do Muro”, fundado pelo seu pai, familiares e amigos, a 1 de Maio de 1920.
A partir dos nove anos de idade aprendeu a manufaturar obras em verga de vime com o seu pai e irmãos fazendo desse ofício, e da música bucólica, a sua forma de vida.
No auge da sua carreira como Industrial, contou com mais de duas centenas de trabalhadores, nas três fábricas industriais de obra em verga de vime nomeadamente: Santa Maria Maior, Caniçal e Curral das Freiras.
Em 1965 Luís da Paixão Fernandes, conjuntamente com sua esposa Zina Gonçalves Fernandes e Manuel Ferreira Pio, fundam a Associação: “Grupo Folclórico Cultural e Recreativo Boa Nova (atual Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova)”, com sede provisória no Caminho do Terço nº 10, freguesia de Santa Maria Maior.

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Em 1967, como Diretor artístico, consegue algo de inédito até à data na região: o grupo infantil participa no “II Festival Infantil de Folclore Nacional” em Lisboa, a 30 de Abril, classificando-se em 1º lugar. A 30 de Dezembro é a vez do grupo sénior arrecadar também o primeiro lugar num concurso regional de folclore “Festa da Cidade”, que contou com a participação de todos os ranchos regionais. O evento decorreu na Quinta Vigia, fazendo parte das festas de fim-de-ano de 1967.
Nas edições XXIV e XXVI da Festa da Flor, realizam-se os dois primeiros cortejos alegóricos deste certame, nomeadamente: 22 de Abril de 1979 e 12 de Abril de1981 (Jornal da Madeira, 11/04/81). Sob a tutela da Direção Regional de Turismo, Luís da Paixão Fernandes idealizou e construiu, coadjuvado pelos seus exímios operários, as duas maiores obras em verga de vime até à atualidade, mais precisamente uma réplica da caravela “São Lourenço” e o avião de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, tendo desfilado com os seus arranjos florais, pelos itinerários delineados para a efeméride, na baixa citadina, conjuntamente com o Grupo Folclórico, Cultural e Recreativo Boa Nova.

Como diretor e artista representou a região nos seguintes países: Portugal continental, Venezuela, Estados Unidos da América, Finlândia, Noruega, Suécia, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e as ilhas de Curaçau e de Tenerife.
Em reconhecimento pela vasta obra legada, a Câmara Municipal do Funchal, como forma de perpetuar a sua memória, decidiu através da toponímia por proposta da Divisão de Fiscalização Municipal, atribuir a uma artéria do Concelho do Funchal ao qual pertenceu, a rua Luís da Paixão Fernandes, localizada na freguesia de Santa Maria Maior, mais precisamente na paróquia do Bom Sucesso.
Falece aos 66 anos, a 14 de Janeiro de 1982, ficando por concretizar a sua maior obra de sempre: o comboio do Monte para a festa da flor do ano que pereceu.

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