Sancho Gomes visita famílias madeirenses que perderam as suas casas nos sismos na Venezuela

55 dos 180 mil euros mobilizados pelo Governo Regional da Madeira foram atribuídos à ONG Regala Una Sonrisa, que está a apoiar as vítimas na recuperação das habitações.

O Diretor regional das Comunidades acompanhou, em Caracas e La Guaira, o trabalho desenvolvido no terreno e ouviu o testemunho de Teresa Martins, natural de Câmara de Lobos, que teve de abandonar a sua casa após os sismos.

Sancho Gomes dedicou grande parte do primeiro dia da sua deslocação oficial à Venezuela, iniciada a 9 de outubro, à visita a famílias madeirenses afetadas pelos sismos de 24 de junho, em Caracas e La Guaira, que estão a beneficiar do apoio da ONG Regala Una Sonrisa, através dos fundos mobilizados pelo Governo Regional da Madeira.

O diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa contactou diretamente com as famílias atingidas, conheceu as dificuldades que continuam a enfrentar e acompanhou o trabalho de assistência e recuperação de habitações desenvolvido pela associação, que recebeu 55 mil euros do total de 180 mil euros mobilizados pelo Governo Regional para apoiar as vítimas dos sismos na Venezuela.

Entre as pessoas visitadas esteve Teresa Martins, natural de Câmara de Lobos, que vivia em Los Teques e perdeu parte da sua casa na sequência dos sismos. Perante os estragos e sem condições para suportar sozinha os custos da reconstrução, foi obrigada a deixar a sua habitação e a deslocar-se para Los Angeles, onde se encontra atualmente com o filho, de 41 anos.

Em conversa com Sancho Gomes, Teresa Martins partilhou a dor de ver a sua casa danificada e a esperança que encontrou no apoio recebido.

“Lamentavelmente, com os sismos, perdi parte da minha casa em Los Teques e vi a minha vida mudar de um momento para o outro. Tive de sair da minha casa e ir para Los Angeles com o meu filho, de 41 anos. O que mais desejo é poder recuperar a minha casa e voltar a ter um lugar seguro a que possa chamar lar. Sozinha, seria muito difícil, praticamente impossível, conseguir fazê-lo. Mas o Francisco Soares, através da associação Regala Una Sonrisa, e o Governo Regional da Madeira estão a dar-me esta oportunidade e a devolver-me a esperança. Estou profundamente grata por esta ajuda, por não se esquecerem de nós e por nos mostrarem que, mesmo nos momentos mais difíceis, não estamos sozinhos. Muito obrigada à Regala Una Sonrisa e ao Governo Regional da Madeira por me ajudarem a acreditar que vou conseguir recuperar a minha casa e reconstruir a minha vida”, afirmou.

Entre as famílias visitadas estiveram, também, Celina Gomes e José Maria Gomes, naturais da Ponta Delgada, na Madeira, e residentes na Venezuela há mais de 40 anos. O casal vive no Paraíso de La Fuente, onde a habitação sofreu danos significativos na sequência dos sismos.

Celina Gomes destacou a importância do apoio recebido para a reconstrução da casa, sublinhando que os estragos afetaram todos os compartimentos. “A nossa casa ficou muito danificada. O apoio da ONG foi fundamental. Primeiro tivemos a ajuda de Deus e depois tivemos a ajuda da Regala Una Sonrisa e do Governo da Madeira”, afirmou.

A madeirense agradeceu o trabalho de reconstrução realizado, salientando que, sem essa intervenção, não teria sido possível permanecer na habitação nem recuperar as condições necessárias para continuar a viver na sua casa. “Se não fosse pelo Francisco e pelo Governo Regional, eu não podia ficar nem arranjar a minha casa”, declarou, manifestando a sua gratidão pelo apoio recebido.

Também José Maria Gomes expressou o seu reconhecimento pelo acompanhamento prestado, afirmando: “Eu estou aqui graças ao Governo Regional da Madeira e graças a este rapaz [Francisco Soares] que nunca desistiu”.

A visita permitiu a Sancho Gomes constatar o impacto concreto dos apoios disponibilizados pela Região e a importância do trabalho das instituições que acompanham as famílias no terreno, num contexto em que os danos nas habitações agravam as dificuldades económicas e sociais já sentidas por muitos madeirenses e luso-descendentes.

O diretor regional destacou o papel da Regala Una Sonrisa na assistência à comunidade madeirense na Venezuela, sublinhando o trabalho desenvolvido ao longo dos anos através de diferentes respostas sociais.

“Acompanhamos há muito tempo o trabalho da associação Regala Una Sonrisa com profunda admiração e enorme respeito institucional. Falar desta organização é falar de um pilar insubstituível de humanidade na Venezuela”, afirmou Sancho Gomes.

O responsável recordou o contributo da organização através do Hogar de los Ángeles, financiado pelo Governo Regional da Madeira, da Sopa Sonrisa e do programa Ángeles Lusitanos, iniciativas que apoiam os compatriotas mais vulneráveis, incluindo pessoas idosas.

Na sequência dos sismos, a associação mobilizou os seus voluntários para responder às necessidades mais urgentes das famílias afetadas, assegurando a recolha e distribuição de água potável, alimentos e vestuário, o acompanhamento psicológico de crianças e idosos e a avaliação dos danos nas habitações, com vista à realização das obras de recuperação necessárias.

“A equipa liderada pelo seu presidente, Francisco Soares, não ficou a assistir à distância; ativou de imediato os seus voluntários e avançou para a linha da frente da assistência humanitária de emergência”, salientou Sancho Gomes, destacando ainda o início dos trabalhos de reconstrução de habitações afetadas, nomeadamente no setor de San Juan.

“Eles não estão apenas a alimentar quem sofre; estão a reerguer a própria comunidade”, acrescentou.

Por sua vez, Francisco Soares, presidente da ONG Regala Una Sonrisa e diretor do Programa Viver Bem, explicou que a iniciativa de recuperação de habitações nasceu na sequência dos sismos, tendo sido possível avançar graças à cooperação do Governo Regional da Madeira.

“O Programa Viver Bem nasceu a partir dos sismos que atingiram a Venezuela e também graças à cooperação do Governo Regional da Madeira. Para além de ter arregaçado as mangas, o Governo Regional abriu-nos a possibilidade de desenvolvermos um projeto para ajudar a comunidade afetada, nomeadamente através da recuperação das casas das pessoas atingidas”, explicou.

Segundo Francisco Soares, são numerosas as habitações de famílias madeirenses e portuguesas que sofreram danos, com diferentes níveis de gravidade. A situação económica que já se vivia na Venezuela antes da catástrofe torna particularmente difícil, para muitas famílias, suportar os custos das obras necessárias.

“Há casas muito afetadas e outras menos, mas existem casos de idosos que não tinham qualquer possibilidade de recuperar as suas habitações. Graças ao apoio do Governo Regional, estamos agora a dar uma nova vida a casas que ficaram danificadas. Para nós, é muito gratificante poder ajudar a nossa comunidade e devolver às pessoas a possibilidade de viverem com melhores condições”, afirmou.

O responsável recordou que a associação já desenvolvia, através do programa Ángeles Lusitanos, iniciativas destinadas a apoiar pessoas sem capacidade financeira para realizar obras de reabilitação nas suas casas. Os estragos provocados pelos sismos vieram reforçar essa necessidade e determinaram a criação de uma resposta específica para a recuperação das habitações.

“Depois dos sismos de 24 de junho, perante esta nova realidade, o nosso objetivo é ajudar estas pessoas e reconstruir o maior número possível de casas”, acrescentou.

Sancho Gomes reiterou que a Região Autónoma da Madeira continuará a acompanhar a situação das famílias afetadas e a apoiar o trabalho das instituições que se encontram na linha da frente da assistência humanitária.

“A Madeira nunca vira as costas aos seus filhos, nem àqueles que no terreno os protegem”, afirmou, apelando às instituições, ao tecido empresarial e às comunidades madeirenses, tanto na diáspora como na Região, para que reforcem os donativos e o apoio às campanhas da Regala Una Sonrisa.

A deslocação oficial de Sancho Gomes à Venezuela decorre até 20 de outubro e tem como objetivos acompanhar as famílias madeirenses afetadas pelos sismos, verificar no terreno a aplicação dos 180 mil euros de apoio mobilizados pelo Governo Regional da Madeira e participar em cinco grandes ações solidárias.


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