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A Ucrânia celebrou, a 24 de agosto de 2026, o 35.º aniversário da sua independência, uma data que marcou o nascimento formal do Estado ucraniano moderno após a dissolução da União Soviética.
Origens históricas
O caminho para a independência começou em 16 de julho de 1990, quando o Soviete Supremo da República Socialista Soviética da Ucrânia aprovou a Declaração da Soberania Estatal, com 355 votos a favor e apenas 4 contra. Este documento proclamava a supremacia das leis ucranianas, o direito a símbolos nacionais próprios, exército, sistema financeiro e autonomia nas relações externas.
O momento decisivo ocorreu a 24 de agosto de 1991, poucos dias após o fracasso do Golpe de Agosto em Moscovo — uma tentativa de linha-dura soviética para preservar a URSS. Nesse dia, o parlamento ucraniano aprovou o Ato de Declaração da Independência com 321 votos a favor, 2 contra e 6 abstenções.
Confirmação popular
A independência foi confirmada por referendo nacional a 1 de dezembro de 1991, coincidindo com as primeiras eleições presidenciais ucranianas. Cerca de 84% da população participou no plebiscito, e 90,32% votaram “sim” à independência — mais de 28 milhões de ucranianos. A Polónia e o Canadá foram os primeiros países a reconhecer a independência ucraniana, ambos a 2 de dezembro de 1991.
O feriado nacional
Desde 20 de fevereiro de 1992, o dia 24 de agosto é oficialmente o Dia da Independência da Ucrânia, substituindo a data anterior (16 de julho) que temporariamente celebrava a soberania. A data de 24 de agosto também substituiu o antigo dia identitário de 22 de junho, que assinalava a proclamação da efémera República Popular da Ucrânia em 1918.
Tradicionalmente, o feriado é celebrado com desfiles militares em Kiev, cerimónias oficiais e manifestações populares por todo o país.
Contexto atual
Em 2026, o 35.º aniversário da independência ocorreu num contexto de guerra, com a invasão russa iniciada em 2022 a prolongar-se há mais de 1.600 dias. Vários líderes europeus deslocaram-se a Kiev para assinalar a data em sinal de solidariedade. O presidente Volodymyr Zelensky fez um apelo à unidade nacional, afirmando que a Ucrânia “não cairá, alcançará a paz e seguirá em frente”.
Em Portugal, várias cidades — incluindo Lisboa, Porto e Coimbra — acolheram “marchas lentas” e eventos da comunidade ucraniana para assinalar o aniversário. O Presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa, enviou uma mensagem ao presidente Zelensky, terminando com a saudação ucraniana “Slava Ukraini!” (Glória à Ucrânia).
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