Lagoa do Jardim Municipal inoperacional há dois meses

Rui Marote
A lagoa do Jardim Municipal encontra-se inoperacional há dois meses, ao contrário do habitual, em que se encontra cheia e com repuxos de água. Trata-se de uma herança do anterior executivo camarário.
Actualmente a lagoa está vazia há dois meses devido a uma avaria no motor, aguardando peças. Este estado de “abandono” que motiva outras obras, pinturas, impermeabilização, limpeza, ficou parado no tempo. Ontem ao final da tarde a água regressou temporariamente. Segundo informações no local deveu-se a festejos no jardim, mas é para ser vazada na próxima semana, aguardando as peças do motor da bomba. Não basta substituir peças e voltar a ficar tudo na mesma, se não houver manutenção constante.
A lagoa no seu desenho original era muito diferente do actual. A lagoa estendia-se significativamente  mais para sul e foi encurtada devido às obras de alinhamento e alargamento  da Avenida Arriaga. O espelho de água avançava até aos limites da actual avenida, mesmo em frente à zona da esplanada do café do Teatro Municipal Baltazar Dias.
Para dar espaço ao crescimento  do eixo viário  e pedonal  da placa central, as dimensões do lago tiveram de ser reduzidas. As grandes reformas urbanas do nosso “Marquês de Pombal”, o Dr. Fernão de Ornelas presidente da Camara Municipal na década de 1940, assim o determinaram.
Antes a lagoa apresentava-se cheia
Este espaço nasceu em 1880  sobre a antiga cerca do Convento de São Francisco na parte sudoeste do parque hoje Jardim Municipal do Funchal (ou Jardim Dona Amélia). A construção do parque começou em Agosto de 1880 integrando plantas vindas de Paris, do Porto e de outras origens.
O lago foi desenhado no conjunto paisagístico do século XIX para servir de habitat  a aves aquáticas  e conferir frescura ao centro da cidade. No centro do lago existia um par escultórico conhecido por “Paulo e Virgínia” (ver foto de 1942 do atelier Museu Vicentes) retirada na altura  da abertura da Avenida Arriaga e guardada num dos armazéns do município.
Paulo e Virgínia, Photos Figueiras
Com as obras concluídas, deu-se ordem para o regresso de Paulo e Virgínia, o que não aconteceu devido ao seu
desaparecimento. Fernão de Ornelas encomendou então a escultura “Meninos” instalada em 1943, esculpida por António Maria Ribeiro.
A lagoa como era noutros tempos, com a escultura original
A icónica escultura Paul e Virgínia terá “voado” para New Bedford, nos Estados Unidos, sendo descoberta numa das visitas às comunidades na casa do comendador José Fernandes, membro das comunidades madeirenses. Há quem diga que foi comprada e levada para fora da Madeira…

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