Galeria Anjos Teixeira vai abordar “Revolta do Povo do Curral das Freiras (1924)”

“A Revolta dos Curraleiros” de 1924, também designada como “a revolta do povo do Curral das Freiras” será a temática abordada numa conversa com a participação do Pe. João Gonçalves, na Galeria Anjos Teixeira, à Rua João de Deus n. 12, no Funchal, no dia 19 de Fevereiro, às 19h.
Com este evento, na próxima semana inicia-se um ciclo de iniciativas que fazem parte de um programa alusivo às comemorações dos 50 Anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira, refere-se num comunicado.A conversa com o Pe. João Gonçalves, abordará uma importante revolta popular ainda pouco conhecida na nossa Região.

Na Galeria Anjos Teixeira,   através deste tipo de iniciativa que acontecerão todos os meses ao longo deste ano de 2026, pretende-se dar expressão pública à História e as estórias que moldaram um povo, a sua identidade, as suas características e capacitações na insularidade distante.

Conforme refere um texto divulgado pela galeria, “Com vista a uma digna comemoração dos 50 anos da Autonomia da RAM, será por demais patente o interesse no conhecimento das raízes populares que levaram à formação da atual comunidade e geraram características próprias que justificam a necessidade dessa Autonomia.
A investigação nesta área é tanto mais importante quanto é grande o desconhecimento nesta matéria, ou, pelo menos, são raras as abordagens das questões que com ela se relacionam e, portanto, permanecem relativamente ignorados a nível da opinião pública, acontecimentos ligados às camadas populares mais desfavorecidas, como seja o caso, p. ex., das lutas camponesas, designadas tradicionalmente como “revoltas”.
Para este fenómeno contribui também uma acentuada tendência para o secretismo por parte dos pequenos agricultores, secretismo esse utilizado como meio de defesa face às exigências dos senhorios no caso da colonia, ou, como recentemente se constatou em trabalho sobre os “presos políticos”, como defesa contra a ação das forças repressivas do regime fascista.
Assim, o Centro Cultural Anjos Teixeira propõe-se desenvolver um conjunto de iniciativas onde se discutam e divulguem alguns aspetos desta realidade, aos mais variados níveis, incluindo práticas específicas ou recursos alimentares, entre vários outros.
Esta “campanha” inicia-se, no próximo dia 19 do presente mês, pelas 19 horas, na sede do Centro, com um debate sobre a “Revolta do Curral das Freiras”, que se iniciará com uma intervenção pelo Pe. João Gonçalves, pároco do Curral, sendo certo que a “Revolta dos Curraleiros”, como também é conhecida, apresentou um elevado impacto na zona, mas permanece quase esquecida a nível regional.
Seguir-se-á, provavelmente a 19 de Março, uma sessão sobre presenças humanas à margem da sociedade nos campos do Jardim da Serra, prevendo-se seguidamente uma abordagem quanto às técnicas e difusão dos telhados de colmo, que constituíram a cobertura generalizada das casas da Madeira, e, depois, como não podia deixar de ser, uma abordagem do regime da colonia sob o ponto de vista dos seus impactos junto da população, esperando-se também vir a focar especificamente o papel da imprensa nas primeiras fases do movimento operário.
Por muito ambicioso que possa ser o planeado, espera-se ainda abordar temas como as levadas, o Porto Santo ou as “lapinhas”, bem como organizar exposições ou iniciativas gastronómicas.
Estamos assim perante um programa à margem das comemorações oficiais e que se pretende que possa traduzir a dimensão da Autonomia ao nível popular, colocando no seu devido lugar o povo da Madeira e Porto Santo”.

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