Rui Marote
Este episódio ocorreu em 1995. Quando por vezes apelidamos a APRAM de “madrinha dos pobres” há quem não goste, mas são tantos os factos históricos que atestam o modo como esta instituição esteve sempre a emprestar dinheiro ao governo em momentos de aflição, quando a tesouraria estava sem liquidez para fazer face a pagamentos, que é impossível não ironizar. Os Portos da Madeira eram de facto por muito tempo a “fada madrinha” que fornecia luz e água a discotecas, a navios e a pubs na marina do Funchal. Foi assim durante largos anos. Mas estas circunstâncias em tempos deram lugar a um caricato encerramento dum espaço de diversão nocturna!
Recordemos o cenário em 1995. Em frente às Vespas existia um parque de estacionamento e por debaixo da cobertura da estrada, os pavilhões das oficinas dos portos de serralharia, carpintaria e mecânica. Nas proximidades, a cantina dos portos. Ora, certa noite o electricista dos portos, que já não esta no reino dos vivos, resolveu ir à conhecida discoteca Vespas tomar uma cerveja. Mas, impedido pelos seguranças uma vez que se encontrava com “meia têmpera” insistiu duas vezes e à terceira ameaçou: Se não me deixam passar, fecho a discoteca!
Ninguém acreditou. Não passavam de delírios de um indivíduo que tinha tomado uns copitos a mais.
Mas, decorridos dez minutos para espanto de muitos, a discoteca passou da luz para as trevas. Acontece que o quadro eléctrico estava instalado nas oficinas dos portos. O funcionário electricista, irritado e de “morango inchado” deitou a mão aos disjuntores e acabou com a dança. O piquete da EEM foi chamado, mas nada pôde fazer, pois o fornecimento eléctrico era pertença dos portos. A administração era vizinha das Vespas e tentou fazer a folha ao funcionário indisciplinado, mas tudo acabou em águas de bacalhau. A partir deste acontecimento, as Vespas, estabelecimento que foi alimentado gratuitamente durante anos pelos portos, passou a ter quadro próprio e a ser consumidor da EEM.
Existem outros episódios caricatos. A APRAM tem tido de se submeter a muita coisa. Nomeadamente viver à custa de água e de certos serviços que dariam material para uma série das nossas secções irónicas, “Estepilhas”. Hoje os tempos são outros mas a “madrinha” continua a cair de vez em quando no “conto do vigário”…
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