Filipe Sousa fulmina “democracia doente” feita de “homens fracos”

foto Rui Marote / arquivo

Filipe Sousa, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, comentou hoje: “Ouvi ontem, na RTP/M, o presidente do Governo Regional criticar aqueles que, nas suas palavras, criticaram, por estes dias, o trabalho dos operacionais no terreno. Ora, o Dr. Miguel Albuquerque ouve, lê e vê o que quer ouvir, ler e ver. Mas, em momento algum, alguém criticou os operacionais. Muito pelo contrário, eles e os autarcas foram os únicos com prontidão, entrega até à exaustão e sentido de responsabilidade. O que se criticou, e bem, foi a inoperacionalidade das cúpulas, do Governo à Protecção Civil, pela forma como geriram tudo isto, pela forma como sobretudo não geriram, pelo virar de costas e, mais recentemente, por esta política de terra queimada na tentativa de aniquilar e calar, pela habitual propaganda, a razão dos que têm razão, a liberdade de nos expressarmos e, pelo caminho, impor a versão oficial dos factos de que tudo foi um sucesso, de que nada de importante foi destruído, de que o coração da nossa terra não ardeu, desvalorizando as perdas, o sofrimento e o rasto de destruição”.

Filipe Sousa constata que nos últimos dias, tivemos, pelo  menos, duas frentes de destruição: os incêndios e a forma como se reagiu a eles. E os dois com a mesma capacidade destrutiva.

“Foi um sem parar de erros, de omissões, de mentiras, de irresponsabilidade”, acusa.

“Veja-se o caso da inclusão dos operacionais de Santa Cruz, onde a opção foi ignorar a nossa capacidade quase até ao fim do incêndio. Ao contrário do que disse, na RTP, o responsável máximo da Proteção Civil na Madeira, a nossa primeira intervenção, no dia 17, foi por iniciativa do nosso Comandante Leonardo Pereira que foi para o terreno, após falar com colegas e autarcas,  com cinco viaturas incluindo o VCOC – Veiculo de Comando e Comunicações e com 10 homens. Desmobilizamos no dia 18 às 14h para descanso e comunicamos ao comando do Serviço Regional de Proteção Civil que estaríamos novamente disponíveis a partir das 20h desse mesmo dia. Desde o início dos fogos 13 de agosto, até ao dia 22 de agosto,  o Serviço Regional de Proteção Civil nunca solicitou apoio da Companhia de Bombeiros Sapadores de Santa Cruz. Só o fizeram depois do apelo público que fiz no dia 22, dizendo que não compreendia a não convocação dos nossos meios, atendendo à gravidade da situação, nem entendia as razões que motivavam a ausência de pedido apoio por parte do SRPC. Só no dia 23 pediram o apoio da nossa equipa ERAS – Equipa de Reconhecimento e Avaliação da Situação, a única que existe na Região”, esclarece Filipe Sousa.

“É isto que temos, e é dramático e perigoso quando a uma catástrofe se junta uma ação desastrosa, movida por interesses políticos, por desrespeito, por mentiras, por gente sem sentido de Estado, por arrogâncias e, agora, por uma estratégia de vender um sucesso sem razão de ser e que realmente nunca existiu”, prossegue.

“Diz o povo e com razão, que um Governo fraco faz fraca a forte gente. E temos vindo a enfraquecer todos, a nossa terra enfraquece nesta democracia doente e composta de homens fracos”.

2O único agradecimento que temos de fazer é a quem o merece: aos bombeiros no terreno, aos autarcas no terreno, às pessoas que lutaram pelo que é seu no meio do desnorte de quem preferiu regressar às férias. Se houve sucesso foram dos que disseram presente enquanto outros fechavam portas e abriam espreguiçadeiras na ilha ao lado”, conclui o autarca.


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