‘Presos Políticos do Estado Novo na Madeira’ é um livro do jornalista Élvio Passos, do Diário de Notícias do Funchal, e de João Lizardo, advogado. Ambos analisaram mais de 100 mil documentos, e revelam, a “existência de mais de 1800 presos políticos” na ilha, em tempos que já lá vão.
A obra retrata as actividades da PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), na Região. Foi apresentada esta tarde no Salão Nobre da Assembleia legislativa da Madeira.
“Trata-se de um estudo pioneiro que se iniciou a partir de um trabalho jornalístico, em 2022, quando o profissional da comunicação social pesquisava a história de uma vala comum localizada no antigo Cemitério das Angústias (atual Parque de Santa Catarina) com pessoas mortas durante a Revolta do Leite de 1936”, explica-se.
A curiosidade para saber mais sobre a história dos presos das polícias políticas fez com que os dois autores mergulhassem num manancial de informação, em documentos, e em relatos traumáticos que era preciso dar a conhecer e deixar para memória futura, revela um comunicado da ALRAM.
“Na Madeira estão identificados mais de 1800 presos políticos do estado novo”, referiu Élvio Passos, na esperança que este documento seja “um ponto de partida para outros estudos sobre o Estado Novo”, quer na Região, que no país.
Já João Lizardo afirmou que, para além de “conhecer as experiências das vítimas da PIDE”, falta agora saber mais quais “os efeitos dos tratamentos arbitrários da mesma polícia sobre as pessoas normais”.
O livro foi apresentado pelo antigo Procurador – Geral da República, Cunha Rodrigues, que destacou, além dos factos, uma outra faceta do Estado Novo: “a sua duplicidade, dissimulação e tacticismo. A polícia política não foi mais branda na Madeira que noutros lugares. O que soube foi ajustar-se à natureza dos conflitos e desenhar um perfil específico de repressão”, assegurou.
Por seu turno, José Manuel Rodrigues referiu a importância da obra que “retrata uma época do nossa História na Madeira que desejamos que nunca regresse, mas que nunca podemos esquecer”.
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