A 3 de Outubro faz 38 anos que o Rei e a Rainha da Suécia, Carlos Gustavo e Sílvia, estiveram na Madeira. Nessa ocasião foi assinado um protocolo de acordo com Hospício Princesa Dona Amélia, que foi fundado em homenagem à princesa D. Amélia (1831-1853), que faleceu na Madeira vítima de tuberculose e que era filha de D. Pedro I, imperador do Brasil, também D. Pedro IV de Portugal (1798-1834) e da imperatriz D. Amélia Beauharnais Leuchtenberg (1812-1873).
Esta instituição foi fundada em 1853, pela imperatriz viúva do Brasil, em honra à sua filha e em agradecimento aos cuidados que lhes foram prestados pelos madeirenses.
O edifício do hospício foi inaugurado em 1862 e manteve-se sob a administração de D. Amélia até ao seu falecimento em 1873, altura em que a gestão da instituição passou, por disposição testamentária, para sua irmã, Josefina Leuchtenberg (1807-1876), rainha da Suécia (e Noruega).
Desde então, a casa real Sueca tem mantido ininterruptamente o apoio económico a este de solidariedade social. Daí para cá a Rainha Sílvia Sommerlath tem-nos visitado algumas vezes.
A visita do casal real obrigou a medidas de segurança e a um sigilo do programa. Era comandante da policia o coronel Homem Costa que era mais” papista que o papa” e que não facilitava nada aos órgãos de informação.
No dia 4 de Outubro de 1986 tive a informação que a Rainha Sílvia iria visitar de barco a costa madeirense. Não sabia em que barco, muito menos a hora e o local de partida. Mas imaginei um plano para captar imagens. Como o casal real estava hospedado no Reid’s, instalei-me na piscina de mar do hotel Sheraton. Na altura decorriam obras na frente mar. Cheguei pelas 10 horas da manhã e assentei arraiais, mas o tempo passou, e já eram 14 horas, e nem rainha nem barco.
Fui então surpreendido por um rapaz do hotel que transportava numa bandeja uma sanduiche e uma cerveja… Perguntei a que se devia essa gentileza, uma vez que não tinha feito nenhum pedido. O jovem funcionário apontou para a varanda do andar superior e lá no alto uma senhora dizia em voz alta: “Já deve estar com fome!” Era a Drª Margarida Camacho. De longe agradeci…
Continuei no meu posto de comando, e eram cerca das 15 horas quando surge um barco, o Ventura do João Borges do Turismo, que apoitou nas imediações do cais de acesso ao mar da unidade hoteleira.
A canoa do hotel foi lançada á água e surge a Rainha, que desceu as escadas e saltou para a canoa que a transportou sem problemas até ao Ventura.
Tudo isto foi captado com normalidade e sem problemas até o barco abandonar as águas da enseada. Claro que Homem Costa não gostou ao saber que o DN mais uma vez tinha “furado” o protocolo.
No dia seguinte era o Rei a visitar as Desertas no navio-patrulha Cacine da Armada Portuguesa. Mais uma vez não sabia a hora, apenas que saía do cais dos contentores, hoje cais norte. Não seria fácil, pensei; a segurança era apertada e a policia iria “abancar” no local muito cedo. Teria de me introduzir no interior do cais ainda mais cedo e escolher um sítio onde não fosse descoberto.
Bem cedo fui para o local e fiz de esconderijo um contentor vazio com a porta aberta para a baía da Pontinha. Ali permaneci em silêncio sentindo os passos da segurança em volta.
Recordo que o Rei chegou de shorts e ao som dos apitos de continência e cerimonial deu entrada no navio-patrulha e seguiu então para as Desertas. Fartei-me de disparar a câmara sem ser incomodado.
O mais difícil era abandonar o local: permaneci cerca de uma hora “encarcerado” no interior do contentor até que a segurança fosse desmobilizada. A operação decorreu com êxito e regressei à Redacção com um sorriso nos lábios de dever cumprido.
No dia seguinte a primeira página do DN era manchete a partida do Rei para as Desertas.
Porém, na a semana seguinte fui chamado pelo director do DN, Sílvio Silva, para ceder os negativos a um jornal sueco que depois devolviam.
Ainda hoje aguardo, 38 anos passados, por essa devolução. Quem ainda hoje não me “perdoa” é o meu amigo Nuno Homem Costa. Restam-me como testemunho desta reportagem as edições do Diário no arquivo da Penteada…
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