Como é mais do que sabido, as missas do parto são genuínas manifestações religiosas madeirenses, que marcam a preparação para o Natal e que acontecem habitualmente de madrugada. Mas a verdade é que a tradição religiosa, tem se desvirtuado um pouco (para não dizer muito), pois hoje, a componente profana, a seguir à celebração, supera em muito, o ato religioso, numa grande participação com comes, bebes e cantorias. Pelo andar da moda, qualquer dia, teremos a animar uma missa do parto, o reverendo padre Guilherme Peixoto, que foi tão acarinhado na Jornada Mundial da Juventude. Até aqui não vejo mal nenhum, pois até sou apologista que a igreja deve mesmo se adaptar às novas tendências.
As missas do parto na Madeira são uma tradição que se mantém forte. Celebradas de 15 a 23 de dezembro, na maioria das igrejas, estas novenas em louvor de Nossa Senhora, têm características únicas, que devem ser salvaguardadas.
Claro que sou defensor das missas do parto, só temo, que as mesmas se descambem e, em alguns locais, se tornem em mais um arraial das vaidades – pois na Madeira, somos peritos a inventar arraiais, para tudo o que mexe.
O que já não apoio, é que se faça missas do parto aos molhos, desvirtuando a verdadeira tradição. Hoje há missas do parto para todos e tudo, elas são da junta de freguesia tal, da casa do povo x, da associação y, da assembleia z e por aí fora. A este ritmo, dentro de poucos anos, as missas do parto serão celebradas durante um mês, para poder corresponder a tanta procura – recheada de bons interesses.
As missas do parto são uma secular tradição da religiosidade popular e da cultura madeirense, celebradas ainda antes do nascer do sol e como invocam os nove dias que antecedem o Natal, para além dessas datas e horas, não deveriam acontecer, para não se descaracterizarem.
Pessoalmente, gosto de assistir a uma missa do parto e também usufruir da parte profana, degustando uma sandes de carne vinha-d’alhos e uma canja ou um licor para aquecer o corpo e as ideias.
Por falar em ideias, amanhã, vou à missa do parto, para remissão dos meus pecados.
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