BE destaca necessidade de apoio de saúde mental a quem está na rua

foto Luís Rocha

O Grupo Municipal do Bloco de Esquerda, após o debate sobre “A saúde mental no Funchal “, que decorreu ontem na Assembleia Municipal do Funchal, congratulou-se por “finalmente ser possível ouvir na nossa cidade quem efectivamente percebe da matéria, sendo dado destaque à importância que é o abordar das necessidades específicas dos indivíduos afectados por estas problemáticas”.

O deputado municipal do Bloco de Esquerda, Egídio Fernandes, reconhece que existem algumas respostas no Funchal para quem procura ajuda, como o Serviço de Urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, o Centro de Tratamento de Adições e as Casas de Saúde, mas considera que se trata de “manifestamente pouco para o flagelo que assola a Região e o Funchal em especial”, refere comunicado dos bloquistas.
“Ninguém sabe quem tem doença mental e na maioria das vezes não é visível através das expressões e caras de quem vemos diariamente. É comum, no evoluir da doença, alguns e algumas doentes se desorganizarem, ficarem desempregados, perderem a sua casa, ficando assim em situação de sem-abrigo”, refere este partido de esquerda.
Ora, para todos estes é necessário encontrar soluções, seja através da disponibilização de duches públicos acessíveis durante todo o dia, seja pela criação de uma equipa de rua multidisciplinar para apoiar e acompanhar os doentes psiquiátricos e sem-abrigo ou um banco público de quartos/casas para doentes psiquiátricos e consumidores de substâncias, recém-tratados.
“Tudo isto só será possível através de uma colaboração estreita entre a Câmara e o Governo Regional, visando atender não apenas aos problemas na baixa do Funchal, mas também nas zonas altas da cidade, onde estão menos visíveis”, sentencia o Bloco.
“Defendemos também que, se estão identificadas as áreas mais susceptíveis para as pessoas que atravessam comportamentos depressivos e com pensamentos suicidas, é obrigação da Câmara controlar e tentar minimizar tais riscos. Por isso mesmo, Egídio Fernandes, exortou a Câmara Municipal do Funchal a assumir a responsabilidade de proteger as áreas perigosas como o Pináculo e pontes viárias do concelho”, refere o BE.
Sabendo das dificuldades que as famílias passam diariamente, com o aumento do custo de vida, do salário que não chega, colocando em causa o próprio “pão”, mas também as suas casas, em que ordem de razão pode estar a saúde mental?, questionam os bloquistas.
“Sabendo da existência de milhares de famílias em lista de espera por uma habitação, ao que acresce aquelas que estão a ser despejadas de casa porque o senhorio quer aumentar a renda ou converter em AL, Egídio Fernandes enfatizou a necessidade de regulamentação do alojamento local e a construção de habitação social, incluindo a preços acessíveis. Quem é pobre, quem está constantemente a fazer contas à vida, quem trabalha mas não consegue garantir sustento à família a tem mais probabilidades de sofrer de algum tipo de doença mental”, refere-se.
O deputado entende que “o Funchal está a tornar-se, cada vez mais, uma cidade para estrangeiros, em que os residentes são expulsos devido à cada vez maior falta de empatia e à ganância desmedida de senhorios e da especulação imobiliária na construção de propriedades de luxo”.
Egídio Fernandes contestou a afirmação do actual executivo camarário sobre a “boa saúde” em matérias de segurança na cidade. Da sua perspectiva, as afirmações dos oradores na própria sessão, com dados recentes, contradizem essa alegação, destacando a necessidade de acções concretas.

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