
Maria Leonor Ramos*
A diabetes mellitus é uma doença crónica, prevalente e com grande impacto na saúde. Em 2021, 1 em cada 5 pessoas com mais de 65 anos tinham diabetes e foi responsável por cerca de 11,5% dos gastos em saúde.
É uma doença já falada antes da era cristã, tendo sido a descoberta da insulina pelo médico Sir Fredrick Banting e o seu aluno Charles Best em 1922, que motivou a comemoração do dia mundial da diabetes a 14 de novembro.
Caracteriza-se por níveis elevados de açúcar no sangue (hiperglicemia) devido à produção insuficiente de insulina pelo pâncreas e/ou resistência à ação da insulina nos tecidos periféricos.
A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, fundamental para o metabolismo dos açúcares, gorduras e proteínas. Quando há um aumento do nível sérico da glicose, há uma resposta desta hormona que induz o transporte do açúcar para dentro das células ou transforma-o em glicogénio para ser armazenado no fígado e tecido muscular.
Existem vários subtipos de diabetes, sendo a diabetes mellitus tipo 2 a mais comum.
A prevalência da diabetes no mundo e em Portugal tem vindo a aumentar, contudo mantem-se uma doença subdiagnosticada. Isto pode dever-se ao facto de a diabetes inicialmente ser uma doença silenciosa com poucos sintomas associados.
Quando sintomática, a tríade clássica dos “3 P’s” poderá estar presente, caracterizada pela presença de poliúria (urinar em excesso), polidipsia (sensação excessiva de sede) e polifagia (apetite aumentado).
O seu diagnóstico passa por alterações da glicémia em análises de sangue, seriadas ou em associação com os sintomas anteriormente descritos.
Os fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes mellitus tipo 2 são maioritariamente modificáveis como a obesidade, sedentarismo, o tabagismo e a privação do sono. A idade superior a 45 anos, a influência genética, a hipertensão arterial, o colesterol elevado são outros fatores a ter em conta na génese desta doença.
A alimentação saudável e a prática de atividade física são medidas de prevenção da diabetes. São também pilares terapêuticos no controlo desta doença, associados à manutenção do peso normal e cessação tabágica.
O tratamento farmacológico com os antidiabéticos orais e injetáveis e/ou a insulina são recomendados para o controlo metabólico e redução de complicações. Realçar também a importância das vacinas contra a gripe, pneumonia, COVID19 e herpes zoster, na prevenção de infeções nesta população que é especialmente suscetível.
Os níveis elevados de glicemia ao longo do tempo leva a danos em múltiplos sistemas, podendo culminar no aparecimento de pé diabético, doença cardiovascular (enfarte agudo do miocárdio e AVC), doença renal crónica e retinopatia e neuropatia diabéticas.
O seguimento pelo Médico de Família ou Médico Assistente permite o diagnóstico precoce e a instituição de medidas não farmacológicas e farmacológicas com impacto positivo no prognóstico da pessoa com diabetes.
*Maria Leonor Ramos
Médica Interna de Medicina Geral e Familiar
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