Sílvio Mendes
O Tempo Pascal é um período litúrgico que dura cinquenta dia. Nas Normas Universais do Ano Litúrgico, (nº 22) é referido que «os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com alegria e júbilo, como se se tratasse de um só e único dia festivo, como um grande Domingo».
O Tempo Pascal começa na Vigília Pascal, com a Ressurreição de Cristo, e é celebrado durante sete semanas, até a vinda do Espírito Santo no Domingo de Pentecostes (que significa, em grego, “cinquenta dias”).
Esse tempo litúrgico de imensa força e significado é uma profunda celebração da Páscoa de Cristo, que passa da morte à vida – a palavra “Páscoa”, aliás, significa precisamente “passagem”, conforme o sentido literal do termo na tradição judaica. O Tempo Pascal é também a Páscoa da Igreja, Corpo de Cristo, que passa para a Vida Nova do Senhor e no Senhor.
Desde o ano 2000, o segundo domingo do Tempo Pascal (neste ano no dia 16 de abril) recebe mais um nome: o de “Domingo da Divina Misericórdia”, conforme a disposição de São João Paulo II após a canonização de Santa Faustina Kowalska.
Dentro desse riquíssimo tempo litúrgico, é celebrada no sétimo domingo de Páscoa a festa da Ascensão do Senhor.
O Tempo Pascal termina com a festa do Pentecostes ou Espírito Santo. Em 2023 será no domingo 28 de maio.
É neste espaço de tempo que na Madeira e Porto Santo se realizam as visitas do Espírito Santo.
Aos domingos após a missa da manhã, os grupos constituídos por homens ou mulheres, com capas vermelhas transportando duas bandeiras e uma coroa, símbolos do Espírito Santo, e as meninas «saloias» com trajes típicos regionais, percorrem os sítios levando às famílias a alegria da Ressurreição de Cristo.
São diversas as tradições destas visitas entre elas a cantiga «a rica e a pobre» que é interpretada, nalgumas casas na Madalena do Mar, pelas duas meninas «saloias». É o único lugar onde se realiza esta tradição.
Nas visitas pascais pelas casas, o pároco por vezes acompanha o grupo dando uma maior importância a esta festa, pois aí o padre não só conhece melhor o seu rebanho, como também o abençoa.
Como refere o Pe. Óscar Andrade, pároco da Camacha e do Rochão, este «é um tempo crucial para a pastoral, para dar uma palavra de esperança aos doentes ou àqueles que estão mais afastados da Igreja. É um tempo fulcral para uma nova evangelização desta diocese, é um meio por meio do qual a Igreja vai ao mais íntimo de cada um, às casas, onde se abre a porta para receber a visita do Espírito Santo, ocasião propícia para a abertura da mente e do coração.
A essência das Festas do Espírito Santo centra-se no anúncio de Cristo Ressuscitado a todos os homens fazendo com que eles não só olhem para Deus, mas também para o seu irmão que sofre e, em compaixão, ajudá-lo dentro das suas possibilidades. Na maior parte das paróquias da diocese, o dinheiro recolhido na visita pascal destina-se ao sustento e obras da paróquia».
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