Luís Viveiros surge com novo livro “Os Lances do Olhar” prefaciado por António Fournier

O livro mais recente do poeta madeirense Luís Viveiros intitula-se “Os Lances do Olhar”, e está já disponível nas livrarias. Com a chancela das Edições Piaget, a sua apresentação foi adiada por causa da pandemia da Covid-19, e por isso mesmo traz-nos agora, para além da inequívoca voz do autor, a de um autor e académico lamentavelmente desaparecido entretanto, António Fournier.

Fournier é o autor de um interessante prefácio a esta obra de Luís Viveiros, no qual analisa a série de pequenos poemas (quase haikus) que o autor apresenta neste livro de 124 páginas. Considera-os “a miniloquência do quotidiano de um homem consciente de que todas as ilusões identitárias em que se reconheceu, todos os ideais revolucionários por que lutou, ficaram para trás, na esquina de um século há muito dobrado”. Para ele, Luís Viveiros pratica aqui a “militância” e a “resistência” contra a banalidade da vivência hodierna, que, tal como aponta Vaneigem, “é hoje regida por um sistema económico no qual a produção e o consumo da ofensa tendem a equilibrar-se”. Questionando o que fazer perante a pequena e a grande humilhação que nos é imposta todos os dias, e citando como exemplo os anos da “troika”, a perda de direitos que muito custaram a obter, “a humilhação de nos vermos governados por uma classe política inepta ou corrupta”, transformados em peões de um sistema que se auto-alimenta à custa da voragem dos cidadãos, sobretudo os mais fragilizados, António Fournier encara a proposta poética de Viveiros à luz destas realidades: “A poesia não serve à glória, serve como testemunho”.

Hoje encarada de forma mais catártica e filosoficamente ambiciosa, mas talvez menos apaixonada… a poesia continua a ser um canto contra o Tempo. “(…) que haverá de mais poético do que olhar de frente o espelho estilhaçado do nosso tempo e responder com um verso mínimo”?, interroga-se Fournier, académico madeirense, antigo professor de universidades italianas.

“Este é o tempo que te/ calhou para o melhor e pior –  milita por ele”, exorta Luís Viveiros, no que Fournier classifica como “postura ética de uma assumida Recusa”.

Nascido em Machico em 1953, Luís Viveiros reside em Oeiras há muitos anos. Iniciou a sua publicação na revista “Margem” (CMF), participou na III Exposição de Poesia Ilustrada (CMF, 1989), na “Poet’Arte 90′ (AEM, na Biblioteca Nacional, Lisboa, 1991), e na antologia “O Natal na Voz dos Poetas Madeirenses”. Está representado nas colectâneas “Ilha 3” (1991), “Ilha 4” (1994), “Ilha 5” (2008), e na colectânea “Poeti Contemporanei dell’Isola di Madera” (Universidade de Trieste/DRAC 2001). Publicou as seguintes obras “Primeiras Angústias”, CMF, 1982, “Poeira do Dias” (Edições Piaget, 1998), “Fagulhas”, 2005 e “Caminhos”, com esta mesma chancela.


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