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Com o verão e o calor chega o aumento da procura dos ginásios, quer por motivos de saúde, quer por motivos de bem-estar e de estética. Mas, após termos passado dois anos e meio de cenário pandémico, será que temos finalmente um reforço do aconselhamento da atividade física enquanto prevenção de várias doenças geradas pelo sedentarismo, pelo stress do confinamento e pelos maus hábitos alimentares?
O relatório do PNPAF (Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física) publicado no dia mundial da atividade física deste ano informa que, em 2021, em Portugal, foram emitidas “42 645 guias de aconselhamento de atividade física” pelos serviços de Cuidados de Saúde Primários. Este número está associado a um total de 60 696 consultas realizadas nesse mesmo ano e representa um aumento de 18% em relação a 2020. No mesmo documento é descrito que 53,5% dos inquiridos, apresentaram “níveis adequados de atividade física”, mais 7,4% do que em 2020.
Segundo a DGS, em comunicado, foi afirmado que esta avaliação é feita recorrendo a “ferramentas digitais para a avaliação da atividade física” que registam o peso, a altura, a pressão arterial e quantas vezes o indivíduo realizou “atividade física moderada a vigorosa, e se teve comportamentos sedentários”. Ainda segundo a DGS a avaliação inclui: “instrumentos baseados em sólida evidência científica que podem ser disponibilizados ao utente, sem consumir tempo vital de consulta, uma vez foram desenvolvidos para serem autoexplicativos e, mesmo na ausência de aprofundado enquadramento durante a consulta, poderem ser explorados e experimentados livremente, em autonomia.”
Não é “tempo vital” da consulta instruir e indicar o caminho para um estilo de vida saudável e que permita reduzir o risco de doença? Será esta delegação do serviço de promoção e prescrição da necessidade da prática de atividade física apenas uma forma de ganhar tempo de consulta? Ou é uma resposta do SNS devido à falta de médicos de família? Terá este modelo algum efeito prático? Se com a opinião médica muitas vezes não surte mudanças no paciente mas vale a pena nem falar? Além do número de guias, terá resultados efetivos no que concerne à mudança de hábitos sedentários? Será que a DGS não enfrenta dificuldades na implementação de estratégias que realmente surtam efeito?
Não posso responder a estas perguntas mas também não podemos deixar passar o óbvio desinteresse e a aplicação de esforços e fundos para um resultado de números baseado na produção de guias.
No contexto dos ginásios, é fácil de compreender que existe muita resistência à prática regular de exercício físico. São inúmeras as objeções apresentadas para aderir desde “não tenho tempo” ao “o meu trabalho é muito cansativo” ou o “é muito caro”, entre outras. O dinheiro não é um fator que defina a presença do cliente, mesmo quando há um pagamento efetuado, isso não é uma garantia que ele irá treinar. Se neste contexto já é difícil levar a maior parte das pessoas a treinar, como será mais fácil com uma guia obtida pelo preenchimento de um inquérito? Mesmo com o acompanhamento de técnicos especializados em exercício físico que avaliam e prescrevem de forma individualizada o tempo de permanência médio num ginásio continua a ser inferior a um ano.
Atualmente, qualquer ginásio oferece uma avaliação inicial que permite, não só aferir os mesmos dados que a ferramenta disponibilizada pela DGS recolhe, mas também encaminha qualquer individuo, em qualquer faixa etária para o melhor conjunto de soluções para o seu problema. Os técnicos não trabalham sobre a dor mas sim na prevenção e torna-se necessário que os ginásios sejam entendidos como novos polos de saúde que vão permitir não só reduzir os custos do Estado na Saúde, mas primordialmente vão melhorar de forma substancial a qualidade de vida daqueles que os frequentam.
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