AJJ em campanha em África qual Mouzinho de Albuquerque

Continuamos a desfiar memórias. Fizemos parte do “pelotão” que visitou Maputo – Moçambique no ano 1995, a convite do primeiro-ministro Pascoal Manuel Mocumbi.
Não se tratou de capturar qualquer Gungunhana nessa antiga colónia portuguesa ou de qualquer campanha de África. Muito menos colocar uma coroa na estátua desse homem de cavalaria que durante dezenas de anos foi representado no maior monumento do centro de Lourenço Marques.
Foi retirado para dar lugar ao presidente Samora Machel e hoje “jaz” no átrio do núcleo museológico da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição – Maputo.
Quando Samora deu entrada na cidade de Lourenço Marques, mudou o nome para Maputo e nacionalizou as agências funerárias.
Mais tarde seguiram-se novas nacionalizações, entre elas a do edifício “Funchal”, propriedade dos irmãos Pestanas, Manuel, José e Dionísio Pestana.
Era o maior prédio existente na cidade e estava localizado no centro, junto à Catedral e à Praça Mouzinho de Albuquerque, e aos jardins Vasco da Gama.
O edifício albergava o registo central de Moçambique e os restantes pisos alugados à Força Aérea de Portugal.
Com a entrada da Frelimo, a independência e a nacionalização a família Pestana deixou de visitar aquela colónia.
Anos mais tarde o edifício foi transformado em hotel em parceria com capitais sul-africanos e moçambicanos e passou a chamar-se Hotel Rovuma.
A família Pestana, durante muitos anos teve como advogado o dr. Almeida Santos, o ex-ministro da Administração Territorial durante as conversações de Lusaca.
O porquê da visita de Alberto João a Maputo?!!!
Alberto João conheceu Chissano  em Coimbra numa da repúblicas de estudantes, e tornaram-se amigos antes do moçambicano ir para a clandestinidade na Tanzânia.
Em 1992 a 6 de Junho, Chissano visita a Madeira e convida AJJ para que numa das suas visitas á comunidade portuguesa na África do Sul, aproveitasse para visitar Maputo.
AJJ reúne uma série de empresários para acompanhá-lo: um “pelotão reduzido”, entre eles Manuel Pestana e o seu filho Dionísio, que não punha os pés naquela Nação que desde a independência.
A tentativa para desbloquear o ex-edifício Funchal fazia parte da agenda.
Já em Maputo, programou-se uma reunião entre os empresários madeirenses e entidades moçambicanas ligadas a diversas áreas.
A reunião não correu bem para a família Pestana, que nessa tarde resolveu abandonar a comitiva e regressar a Joanesburgo.
Nessa noite AJJ tinha um jantar oficial na Ponta Vermelha, com Chissano.
Antes de o fazer visitou a comitiva no Hotel Polana, para se inteirar como tinha decorrido a reunião.
Chamou os Pestanas e tomou conhecimento que já estavam em território sul-africano.
No hall do Hotel Polana, muito zangado, manifestou comigo que nunca mais. “Jamais”. Numa altura em que vou estar com o Presidente da República, abandonam a comitiva!!!…
Anos mais tarde, com a saída do grupo sul-africano, o Pestana consegue reaver o imóvel e investir em outras duas unidades hoteleiras “Ilha da Inhaca” e “Ilha do Bazaruto” (hoje não fazem parte do grupo).
Moçambique tem laços históricos com a Madeira que nenhuma outra colónia tem. Tivemos um governador geral, Gabriel Teixeira, um cardeal, D. Teodósio um presidente dos Caminhos de Ferro, um presidente do Município de Lourenço Marques, o vigário geral, Cónego Mata, o Cónego Damasceno secretário geral do Diário, o cónego Franco da igreja da Malhangalene e ordens religiosas das irmãs Vitórias e outras, tudo ao mesmo tempo. Era uma “Nação” madeirense.
Uma das figuras que encontrámos durante a visita foi o irmão do Padre Martins, que foi juiz em Lourenço Marques, aposentado.
Fez questão de estar na sala VIP  do aeroporto à saída para se despedir e entregar a Alberto João Jardim duas bengalas de pau preto, uma para Alberto João e outra para o irmão, na altura presidente da Câmara de Machico.
Nota: Encarregou-se o adjunto Carlos Machado de as trazer.

Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.