Continuar no jornalismo e “comprar uma briga”

Rui Marote
Já lá vão onze anos que aderi ao partido dos aposentados. Recordo que nesse dia, na esplanada do Apolo, um colega de profissão referia-me as seguintes palavras: “Marote, ainda tens muito que fazer no jornalismo”. Tinha razão.
Era fácil arrumar as “botas” e viver das coisas boas que a vida nos oferece neste período pós-laboral. Cavaqueira com os amigos no café, cuidar do físico, aproveitar o clima semitropical, da Madeira que muito amo, ir à praia, dar apoio as netas e à minha esposa que desde o primeiro dia, compreendeu a vida profissional que abracei.
Preferi continuar a trabalhar na área noticiosa, mesmo que sujeito a ameaças e e insultos nas redes sociais. Tenho mais de meio século a abraçar uma profissão que sempre amei. Sou um dos fundadores e sócio do Funchal Notícias, e quando me meti neste projecto, sabia que não podia agradar a todos, e que poderia estar a comprar uma “briga” de insultos, de perseguição e de constantes insinuações de estar condenado ao fracasso este projecto. Houve quem nos vaticinasse apenas um ano ou dois de existência e anunciasse a morte deste jornal para breve. Mas somos pioneiros da imprensa digital na região e ninguém nos tira esse título. Estamos bem vivos e de boa saúde. Não é fácil gerir uma empresa que nunca teve apoios e só agora vê uma pequena luz ao fundo do túnel para receber umas “migalhas” no valor anual de cerca de oito mil euros numa burocracia de papéis, quase como incentivo a desistir.
Durante muito tempo, houve apenas dois órgãos diários escritos: Jornal da Madeira, da Diocese que o Governo Regional tinha 97% do capital, mas com uma salvaguarda: a igreja nomear o director. O Diário de Noticias, propriedade de famílias inglesas e mais tarde de outros parceiros com quotas minoritárias. Aqui nasceu uma guerra de décadas estando sempre em causa os valores que o governo desembolsava para o jornal de que era dono.
Um certo dia o Jornal da Madeira resolveu reforçar o seu quadro redatorial e convidou quatro jornalistas do Diário, numa “transferência” que chegou a causar uma tempestade num copo de água.
Abordei esse assunto com o diretor gera  no interior do seu carro quando subíamos a Rampa do Cidrão. Respondeu desvalorizando a ida desses jornalistas para um jornal da concorrência.
Hoje tudo mudou e para pior. Quem são os proprietários actuais destes órgãos Diário e JM?
Todos sabem… Agora esses jornais defendem uma informação que não lhes pise os “calos”. O Governo Regional, que era o mau da “fita”, continua entretanto derramando “bençãos sem medida” com o Amén do Parlamento.
Vira o disco e toca o mesmo, até quando?!
Quanto ao “retratista” e escrevinhador deste apontamento vai continuar a denunciar o que está mal porque não “inventa notícias” fazendo aquilo que gosta numa república das bananas, porque a minha honra inspira confiança…
Aproveitem pois os descontentes as “armas do diabo” (as redes sociais) para o insulto por causa das notícias que lhes desagradam. A maledicência e os comentários depreciativos que me atinjam têm um destino: o “autoclismo”! É só puxar água e já lá vai…

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