“Quentes e boas”: nem os pequenos negócios sazonais são poupados numa economia que afunda

Fotos: Rui Marote

Elas aí estão, “quentes e boas”, como manda a tradição. Para muitos o surgimento dos vendedores de castanhas na baixa funchalense é um prenúncio da estação mais fria, do aproximar-se do Natal e do fim-de-ano, que encerra em si mesmo toda uma mística que se repete ano após ano, remetendo-nos para as recordações longínquas da infância. Tempos em que as castanhas eram assadas no calhau e vendidas aos transeuntes por comerciantes com tabuleiros suspensos ao pescoço. A degustação das castanhas é um dos pequenos prazeres da existência, e satisfaz tanto miúdos como graúdos, celebra o presente e ajuda a evocar o passado.

Este ano, porém, nem estes pequenos negócios sazonais foram poupados pela pandemia da Covid-19 que tanto atormenta a vida dos madeirenses, como de muitos outros povos por esse mundo fora. E é vê-los, os vendedores, a exercitar a paciência na Avenida do Mar, à espera de clientes que vão aparecendo a conta-gotas. A partir do cair da noite, as ruas vão-se esvaziando cada vez mais, a lembrar os tempos ainda recentes do confinamento. Uma pessoa aqui, outra ali. E, na avenida praticamente vazia, o fumo e o calor das castanhas que assam fazem lembrar as chaminés de navios num mar vasto e deserto.