Presidência da Assembleia é “pedra no sapato” das negociações PSD/CDS, José Manuel Rodrigues atento ao acordo

Assembleia
A presidência da Assembleia está no centro das dúvidas das negociações entre PSD e CDS para a solução governativa dos próximos quatro anos.

As negociações entre PSD e CDS estão praticamente fechadas e Miguel Albuquerque apontou mesmo para terça-feira o dia de assinatura desse “memorando” de entendimento, na forma pelo menos, mas também em contéudo, com as secretarias regionais que caberão aos centristas e um cenário que visa garantir aquilo a que chamam de estabilidade governativa para quatro anos.

Mas aquilo que parece ser um entendimento certo entre as duas partes, tem vindo a provocar pequenas convulsões internas, envolvendo alguns “recados” pelos jornais, num quadro em que é preciso encontrar espaço para os dois homens do CDS que vão integrar o governo de coligação. E isso significa, necessariamente, menos lugares para o PSD distribuir, ficando com menor margem de manobra relativamente a eleições anteriores. Agora, passa a contar também com o CDS para a entrada de quadros na estrutura governativa, na composição das secretarias, onde certamente Rui Barreto desejará colocar homens da sua confiança.

O FN confirmou que há um entendimento global, mas existe um grande foco de preocupação, nos dois lados. O CDS e José Manuel Rodrigues fazem questão de assumir a presidência da Assembleia, o que desde logo cria uma situação deveras embaraçosa para o PSD, que já se traduz internamente num motivo de discussão, ainda que em surdina, sem grandes alardes, mas revelando que a máquina social democrata está atenta e não estará pelos ajustes relativamente a determinadas cedências para o CDS.

A presidência da Assembleia, dizem alguns PSD, não deveria fazer parte desta negociação, mas apenas uma vice presidência, até porque no contexto dos resultados eleitorais, o CDS não representa o peso que poderá estar traduzido em duas secretarias e a presidência do Parlamento, isto segundo a visão de algumas figuras do PSD-Madeira, que questionam sobre as consequências de algum reflexo de unidade interna se avançar mesmo essa conquista do CDS na Assembleia.

José Manuel Rodrigues e Rui Barreto estão numa fase de “coexistência pacífica”, o presidente do partido concorda com a negociação do líder da comissão política, fez parte da unanimidade que mandatou Barreto para as negociações, mas ao que nos dizem não está disposto para abdicar da presidência da Assembleia, situação que já terá sido do conhecimento do PSD e que, para salvaguardar qualquer “areia” nesta engrenagem negocial, estará também a procurar soluções para a eventualidade de um plano B e com isso não prejudicar Tranquada Gomes, o que poderia passar, segundo soubemos, pela liderança de uma empresa pública.

Fontes próximas do processo de negociações adiantam que essa é uma situação realmente problemática, em função da posição de intransigência de José Manuel Rodrigues e que Barreto poderá ter dificuldade de resolver, até porque numa situação extrema, há sempre a perspetiva, ainda que ténue, de haver aqui um cenário em que, com rutura, José Manuel passar a deputado independente, o que não seria nada agradável para o processo negocial.

Em matéria de secretarias, Barreto poderá ficar com os Transportes e Teófilo Cunha com o Ambiente, sendo que esta situação resolveria, em parte, alguma preocupação para defender a posição de Susana Prada, que poderá ficar com o Mar e a investigação, dando resposta, assim, a um descontentamento da própria Susana Prada, colocado na praça pública através de uma notícia do JM, que não foi posta a circular por acaso.

O Funchal Notícias sabe, também, que haverá necessidade de alguns ajustamentos na Assembleia, relativamente aos três deputados do CDS. Rui Barreto não entra porque vai para o governo, sendo que Ana Cristina Monteiro, que entrou em tereiro lugar, também não deverá ocupar lugar no Parlamento por estar pensada para outras funções. Avançariam, assim, Mário Pereira e Lopes da Fonseca. E aqui, ao que nos garantem, surge um outro problema relativamente a Mário Pereira, que poderá não avançar para permitir a entrada de Gonçalo Pimenta.

 


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.