Financiamento do Estado à Saúde é inferior aos níveis da União Europeia, disse no Funchal o Bastonário da Ordem dos Médicos em iniciativa do CDS

Rui Barreto alertou para as extensas listas de espera para cirurgias, consultas e exames, as 600 altas problemáticas, o desinvestimento nos cuidados primários de saúde, a falta de diálogo dos gestores políticos com os profissionais de saúde e a negação da realidade.

O Bastonário da Ordem dos Médicos considerou hoje, no Funchal, que “o financiamento é o nó górdio” do Serviço Nacional de Saúde. O financiamento do Estado é de 4,8%, na OCDE 6,5%, na UE 7,5%”. Miguel Guimarães, que participou na iniciativa do CDS-Madeira “Ouvir a Saúde”, disse ainda que “entre 2012 e 2014, o tempo em que a Troika esteve em Portugal, o investimento na saúde foi de 26,3 mil milhões de euros, enquanto entre 2015 e 2017, o investimento desceu para 24 mil milhões”.

A qualidade da medicina evoluiu, a ciência e a tecnologia evoluíram e aquilo que as pessoas perguntam é: por que razão os resultados da saúde na Região são piores? A dúvida foi deixada pelo líder do CDS-PP Madeira, Rui Barreto, perante uma plateia com mais de 100 pessoas, na conferência “Ouvir a Saúde – um  problema, uma solução, responder aos madeirenses”, que decorreu este sábado num hotel do Funchal, e contou com a participação do bastonário da Ordem dos Médicos, José Miguel Guimarães, e de outros três convidados: José Manuel Teixeira, director clínico e antigo presidente da Sociedade Portuguesa da Cirurgia da Mão, que falou da relação entre o setor público e o privado, sugerindo que se há 21 mil pessoas em lista de espera para cirurgia, os decisores políticos devem procurar respostas no privado; Eduardo Lemos, director da Casa de Saúde S. João de Deus, que referiu a importância das IPSS na oferta dos cuidados de proximidade; e Ricardo Duarte, médico anestesista, madeirense, presidente do INEM na Região norte, que mostrou como os ambientes hostis não favorecem a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde.

Com a saúde a não deixar a agenda política regional, o Conselho Económico e Social do CDS, órgão presidido pelo deputado José Manuel Rodrigues, escolheu a saúde, depois de ter debatido os transportes, a educação e qualificação. Os contributos das dezenas de entidades que participam nestas reflexões vão servir de base ao programa de governo que o CDS irá apresentar às populações nas eleições de 22 de setembro próximo.

Rui Barreto chamou a atenção da plateia para alguns dos problemas: as extensas listas de espera para cirurgias, consultas e exames, as 600 altas problemáticas, o desinvestimento nos cuidados primários de saúde, a falta de diálogo dos gestores políticos com os profissionais de saúde e a negação da realidade. “O que vemos hoje é que não há luz ao fundo do túnel”, lamentou o líder do CDS. “Desde 2008, passando pelo novo Governo Regional eleito em 2015, as respostas dadas aos madeirenses não têm sido as mais adequadas. As listas de esperam estão a aumentar e temos um problema grave na Região que é um Governo em permanente estado de negação. Temos que acabar com este estado de negação, assumir o estado em que estamos e construir um plano de futuro, recuperando a confiança dos profissionais, do sistema e das populações”.


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