Associação política UDP recorda 43 anos desde atentado à bomba que matou padre Max e estudante Maria de Lurdes

A associação política UDP, antigo partido político, recordou hoje que há 43 anos, no dia 2 de Abril de 1976, foram assassinados num atentado à bomba o padre Max e a estudante Maria de Lurdes. Um atentado do grupo de extrema-direita MDLP, pelo qual os autores nunca foram condenados.

O Padre Maximino Barbosa de Sousa tinha 33 anos e era candidato independente da UDP (União Democrática Popular) nas listas das legislativas pelo círculo de Vila Real. Maria de Lurdes Correia, de 19 anos, fazia parte da União de Estudantes pela Democracia Popular e era activa na alfabetização dos camponeses, recorda um comunicado de imprensa. Uma bomba que explodiu no carro em que ambos seguiam acabou com as suas vidas.

Houve vários processos judiciais e nenhuma condenação. O primeiro processo sobre o crime foi arquivado em 1977 por falta de provas. O processo foi reaberto duas vezes, em 1989 e em 1996, pelo Tribunal da Relação do Porto. No processo de 1989 tinham sido acusados, da autoria moral, o cónego de Braga Eduardo Melo, o empresário Rui Castro Lopo, e o ex-membro do Conselho da Revolução Canto e Castro e, como autores materiais, Carlos Paixão, Alfredo Vitorino, Valter dos Santos e Alcides Pereira. Em 1996 apenas foram acusados os autores materiais e também não foi conseguida a condenação. O Supremo Tribunal de Justiça anulou esse acórdão e foi marcado novo processo. A 21 de Janeiro de 1999, o Tribunal de Vila Real reconheceu que o MDLP era responsável pelo crime, porém absolveu os arguidos por falta de provas definitivas.

O médico Mário Durval, actual presidente da associação UDP, assinala que o “exemplo do Padre Max e de Lurdes Correia continua a inspirar muita gente que luta por uma sociedade mais justa e contra a extrema-direita. Como dizemos há mais de 40 anos, ‘não vos mataram, semearam-vos’”. Há 20 anos, a UDP foi uma das forças políticas fundadoras do Bloco de Esquerda junto com o PSR, a Política XXI e vários independentes de esquerda. Hoje a UDP é uma associação que tem o seu foco na constituição de uma biblioteca e um arquivo ligados ao socialismo e às lutas populares.


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