O primeiro ministro não sabe fazer contas mas o novo Hospital tem concurso em outubro e expropriações estão a 70%

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O secretário regional da Saúde garante que “não há qualquer impedimento à construção do novo Hospital da Madeira, é um imperativo regional” e diz que as expropriações estão resolvidas em 70%.

O processo relacionado com o novo Hospital da Madeira fez eclodir uma nova “onda” de crispação entre governos, quando foi publicada a resolução que estabelece o montante de apoio prometido pela República, bem como a calendarização das tranches nos orçamentos de Estado até 2024. O primeiro ministro prometeu 50% de contributo da República, mas o valor não corresponde, em termos efetivos, a metade do montante global de investimento, 350 milhões, dos quais é desde logo retirada a verba de 25 milhões para as expropriações, a cargo da Região.

Cofinanciamento foi adulterado

O secretário regional da Saúde não “poupa” o líder do Governo Central, ao mesmo tempo que garante, sem dúvidas, que a abertura do concurso público internacional será decidida ainda este mês de outubro. “Não há qualquer impedimento para a construção do novo Hospital, é um imperativo regional, teve a aceitação, por unanimidade, na Assembleia Regional. É claro que, depois, as vicissitudes partidárias foram ocorrendo, houve algumas forças que continuaram a apoiar, outras colocaram-se entretanto de parte”.

Para Pedro Ramos “a Madeira sempre fez o trabalho de casa”, lembrando que essa posição já tinha sido transmitida, na Assembleia Regional, em janeiro de 2018, quando estive no Parlamento a solicitação do PS. A surpresa, diz, deu-se depois do primeiro ministro ter prometido o cofinanciamento de 50% ao presidente do Governo Regional, em 2017 e este ano durante a cimeira, que veio ser adulterado.”

Primeiro ministro volta a mentir à Madeira

O governante pensa que “o primeiro ministro não sabe fazer contas”, mas ainda assim, espera que “seja um equívoco, como disse o presidente do Governo. Se fosse mesmo os 50%, de um montante global de 350 milhões, seriam 175 milhões. Depois, deduz o IVA e as expropriações e ainda por cima quer deduzir um quarto de um possível património, a ser alienado pela Região. Isso é inaceitável em termos autonómicos. Os números do apoio, os 96 milhões, não correspondem ao que estava acertado. Com esta resolução, o primeiro ministro volta a mentir à Madeira”.

Pedro Ramos admite que as conversações vão continuar, entre governos, entre “duas entidades respeitadas, que merecem a confiança da população “, no sentido de ser alterado o valor proposto, que vá ao encontro dos valores que se aproximem mais da proposta inicial que o primeiro ministro fez à Madeira”.

Relativamente ao futuro das atuais unidades de saúde, o Hospital Dr. Nélio Mendonça e Marmeleiros, ainda não há decisão tomada, se a alienação, se o reaproveitamento dos espaços. O secretário diz que “se houver qualquer indicação para utilizar essas infraestruturas, será feita de acordo com a legislação em vigor e cujo valor de eventual utilização será para abater na dívida da Região.”

No que se prende com as expropriações, já estão resolvidas em 70%, o que corresponde ao “núcleo central para o edifício começar a ser construído, tudo o resto são terrenos à volta e não tem qualquer prioridade neste momento”.