Veja mais imagens que documentam a azáfama dos meios de socorro no local da tragédia (Monte)

Fotos LR

A tragédia que abalou a pitoresca freguesia do Monte foi um dos momentos mais dramáticos que nos foi dado testemunhar. Conseguimos chegar ao local dificilmente, dado o facto de as principais vias se encontrarem interrompidas para passagem das ambulâncias e veículos das forças da autoridade. Mas a sorte bafejou-nos e lá conseguimos estacionar a nossa viatura. Armados apenas com meios rudimentares, dado que acorremos de imediato à situação, mesmo assim conseguimos documentar fotograficamente toda a azáfama que se verificava no Largo da Fonte. Um Largo onde, ainda não há muito tempo, habitantes da zona nos alertavam para o perigo de uma tragédia iminente por causa do perigo que as árvores representavam – um alerta do qual o FN deu conta.

No local encontrámos as forças vivas do concelho e não só. Vimos pelo menos três secretários regionais, Eduardo Jesus, da Economia, Turismo e Cultura; Rui Gonçalves, das Finanças e Administração Pública; e Pedro Ramos, da Saúde. Isto além da candidata à CMF nas autárquicas, Rubina Leal, e de Paulo Cafôfo, actual edil, que se recandidata, acompanhado do vereador Miguel Gouveia e do seu chefe de Gabinete, Iglésias.
Muitos eram também os elementos da Polícia de Segurança Pública presentes, entre os quais vários das EIR (Equipas de Intervenção Rápida) e da Unidade Especial de Polícia. A Protecção Civil também se encontrava presente em peso, a começar pelo seu comandante, capitão José Dias, bem como os bombeiros, que acorreram em considerável número.

O ambiente era verdadeiramente dramático. Na foto vemos uma senhora desesperada, sendo amparada pelas equipas que procuravam dar apoio psicológico àqueles que perderam amigos e familiares. Só a publicamos porque não se lhe vê a cara. O mais profundo respeito pelos que sofreram estas perdas tão trágicas assolou-nos no local, porque vimo-nos lado a lado com pessoas que telefonavam a familiares para lhes dizer que entes queridos tinham falecido. “Elas morreram as duas”, lamentava-se amargamente uma senhora ao telemóvel. Outra telefonava a familiares, procurando manter a voz calma, apesar da amargura: “Olha, não tenho outra maneira de dizer isto, mas eles morreram. Tenta dizer-lhe com cuidado”, recomendava ao seu interlocutor do outro lado da linha. Era o peso do destino inesperado e impiedoso que se abate sobre as pessoas e as faz sentir pequeninas face a tudo o que existe e lhes é superior. Pouco, antes, ouviam-se cânticos e orações no local… antes de a árvore cair. 

Bombeiros e polícias não tinham mãos a medir, uns a controlar a entrada e saída de veículos, outros a transportar corpos para as ambulâncias, dentro de sacos, com todos os cuidados para não proporcionar voyeurismos fáceis. Sentia-se um ambiente muito pesado. Era possível perceber que todos se encontravam afectados pela dimensão do acidente. Civis, polícias, bombeiros, políticos, todos. Sem apontar dedos, resta apenas uma interrogação. Esta tragédia não poderia ter sido evitada?


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