Crónica Urbana: A ‘equipa B’ presta vassalagem à coroa britânica

Rui Marote

A ‘Crónica Urbana’ irá estar ausente durante 10 dias. Mas, sobre um tema do momento, julgamos fundamental falar, antes do interregno. Não podíamos nem devíamos prolongar este silêncio.

A “equipa A” do jornalismo regional, perita em beneficiar de todos os apoios do GR, veio anunciar quem será o novo director do dito JM (sigla que é um plágio do Jornal da Madeira), e que entrará em funções a partir de 1 de Junho.

Geralmente, quando um clube muda de treinador, o que sucede  é que ele leva a sua equipa pessoal. O ‘mister’ Agostinho Silva, até agora em funções no Diário de Notícias, leva Miguel Silva, na gíria futebolística, como adjunto, o preparador físico Edmar, que regressa às origens, e como secretária técnica, a Sandra, secretária de redacção do Diário.

Feliz está o director do Diário, que se viu livre do golpe de estado que a certas alturas pairava no “periódico” centenário.

Feliz fica também  o administrador da empresa, que vê a diminuição de quatro postos de trabalho, diminuindo o orçamento deficitário da empresa.

O assalto ao Jornal da Madeira já se arrasta a “a long time”. Voltamos a recordar que esse assédio marcou os primeiros despedimentos na comunicação social, que começaram no jornal da diocese, quando o DN exigiu o emagrecimento de postos de trabalho em troca de ficar com a impressão, distribuição, apoio técnico, e contabilidade. Tal não veio a suceder porque o Diário da Blandy entretanto roeu a corda .

No entanto o feitiço virou-se contra o feiticeiro, e o DN teve a desgraça dentro da sua própria casa, despedindo mais de 60% por cento dos seus trabalhadores, encontrando-se ainda nos tribunais os casos de cinco postos de trabalho.

Com a chegada do novo Governo de Miguel Albuquerque, o dossier Jornal da Madeira era prioritário. Os partidos representados no parlamento empunhavam a bandeira de acabar com os subsídios ao Jornal. O Diário gritava “crucifiquem-no”.

Desta guerra, a única força vencedora foi a Diocese, que saiu triunfante, sem dívidas e com o título original do Jornal na mão.

Ao Governo cabia entregar o JM ao sector privado a qualquer preço, lavando as mãos como Pilatos, e assumindo o passivo milionário, ou seja, deixando-o por conta dos contribuintes. O JM acabou por ser vendido por 10 mil euros.

Sérgio Marques, secretário da tutela, recebeu esta batata quente, correndo de Caifás para Herodes e depois para Pilatos, na procura de um empresário que recebesse a criança indesejada nos braços.

Reuniu em Lisboa com a empresa do Jornal Económico por duas vezes, mas o negócio não se concretizou, pelo que sabemos, embora supostamente fosse a solução que o secretário mais desejasse.

Depois foi um “beija-mão” de visitas à casa Blandy, por Sérgio Marques, Miguel Albuquerque, Avelino Farinha e o grupo ACIN da Ribeira Brava.

Avelino Farinha, que foi empurrado para ser o testa de ferro da compra, só estava interessado na Rádio 88.8, e chegou oferecer 200 mil euros que o Governo recusou. A rádio fazia parte do pacote, e não poderia ser vendida à parte.

O Diário, camufladamente, introduz nas negociações o grupo do Correio de Caracas. Farinha faz uma proposta: entrar no capital do Diário e obter 40%, e o Diário ficar com 40% do JM e outros 20% dos venezuelanos. Mais uma vez sua majestade El-Rei recusou.

Tudo isto se arrastou por vários meses, até que apareceu a portaria do MEDIARAM, com os gordos e fartos apoios à comunicação social. Um fato feito à medida de alguns e só de alguns. Resultado: aprovado na Assembleia Regional, que serve aos papões. Eles comem tudo e não deixam nada.

Negócio fechado, Governo aliviado. Neste momento o preto no branco ainda está a decorrer. É que a rádio Jornal da Madeira 88.8 continua com o mesmo alvará, e a sua mudança implica uma série de diligências muito complicadas.

Esta semana a nova equipa que irá dirigir o JM tem-se desdobrado em acções de vassalagem à Coroa Britânica nas instalações da Blandy, recebendo a carta de alforria para que o monopólio da comunicação social escrita e radialista esteja centrado sob a batuta de Sua Majestade.

Caricatamente, neste sábado realiza-se um jantar de homenagem a Agostinho Silva. Cada um paga o seu, são só 20 euros. E certamente alguns jornalistas do DN, com justo medo de perder o emprego, cantarão, hipocritamente, como na Coreia do Norte: “Chegou a hora do Adeus, irmãos vamos partir, no abraço dado em Deus, irmãos, vamo-nos despedir…”

Por último deixamos apenas este comentário: os partidos políticos estão a dormir  quando há muita matéria para investigar sobre esta monopolização encapotada do mercado dos jornais na Madeira.

 

“Vamo-nos despedir

Partimos com a esp’rança, irmãos
de um dia aqui voltar
com fé e confiança, irmãos,
partimos a cantar”…


Descubra mais sobre Funchal Notícias

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.