
Somam já décadas que o pároco do Caniçal viu nas novas tecnologias uma forma diferente de comunicar a Palavra de Deus aos cristãos. A celebração da Missa, com a projeção de diapositivos que permitem acompanhar as leituras e os cânticos, foi uma forma há muito aplicada de interagir com a população no templo. Belas imagens e frases marcantes do Evangelho, assim como os cânticos, são projetados e acompanhados pelos paroquianos.
Nestes dias de Natal e de Missas do Parto, os dois últimos dias destas homenagens à Senhora do Parto terminam, no Caniçal, com a chamada Missa do Perdão, no espírito evangélico de Jesus. Apesar de cedo, a população marcou presença na Igreja, quiçá sedenta de perdão.
Com imagens sugestivas projetadas na parte superior do altar, o Padre José Pereira aludiu às parábolas emblemáticas do Evangelho para fazer notar a importância da misericórdia de Deus, a urgência de perdoar e o facto de podermos contar com alguém que não coloca no centro o pecado dos homens, os julgamentos fáceis, mas o perdão por amor ao outro, no sentido da sua conversão.
“Ser como o samaritano” que ajudou o irmão caído e espancado, ter fé num Deus que cura os aflitos e ressuscita os mortos, acreditar que Deus protege os seus filhos foram palavras de ordem nesta celebração. “Esta Missa tem em vista a remissão dos pecados mas há que continuar a trabalhar por amor a Deus”, salientou o sacerdote. Por isso, o momento da comunhão foi adiado para o grande dia do Natal, para que todos possam até lá refletir sobre os seus atos e, uma vez hoje perdoados, tenham tempo de abraçar os irmãos desavindos, concretizar a reconciliação. Enfim, muito há ainda a fazer…
Animada por um grupo coral bem orientado, esta Missa teve um sabor diferente, a exemplo de anos anteriores, porque convida a um ato penoso para muitos, dado o tempo egocêntrico em que vivemos: perdoar quem ofende, devolver o mal por bem e amar como Jesus amou. Uma caminhada contínua, um esforço incessante que se impõe também nos dias de hoje.

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