Incêndios dominam os discursos do Dia da Cidade do Funchal

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Fotos Luís Rocha e Rui Marote

Herlanda Amado, da CDU, abriu as intervenções da sessão solene comemorativa do Dia da Cidade considerando que o “o Funchal está ferido” pelos recentes acontecimentos dos incêndios que devastaram a ilha. Descrevendo um “cenário dantesco”, criticou “as soluções milagrosas” que surgiram aquando das recentes cheias do 20 de Fevereiro de 2010 e subsequentes incêndios , mas que, considerou, não foram devidamente implementadas de modo a prevenir os problemas graves antes que estes aconteçam. Num cenário em que ainda falta realojar definitivamente pessoas que perderam as suas casas no 20 de Fevereiro, não é aceitável que ainda hoje se verifique “descoordenação”.

A deputada municipal foi hoje uma voz crítica na sessão solene do Dia da Cidade, uma cerimónia presidida pelo representante da República, Ireneu Barreto. Apontou a descoordenação sentida pelas pessoas que ouviam os responsáveis oficiais dizerem que existia calmaria, coordenação e controle, quando não era isso que as pessoas viam no terreno – antes pelo contrário.

Defendendo que há responsáveis políticos que deveriam assumir as suas responsabilidades, acusou-os de não quererem ferir a imagem da Madeira junto do sector turístico, embora tenham dado prova de “descoordenação e desnorte”.
Há sítios desde as zonas altas à baixa, que não têm bocas de incêndio, e daquelas que existem, várias não funcionaram, acusou.

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No seu discurso, fez a apologia do ordenamento do território, da limpeza das florestas e terrenos.
“A prevenção é essencial”, afirmou, bem como a renovação da frota e equipamentos dos bombeiros. E a contratação de novos elementos para os BVM, recomendou.

Uma reclamação que seria seguida também por um outro deputado municipal, desta feita do CDS, Gonçalo Pimenta, que insistiu, como o deputado Rui Santos, do PSD, nos elogios aos bombeiros, forças de segurança e aos próprios madeirenses, que resistiram de forma estóica e heróica às dificuldades constantes.

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Gonçalo Pimenta criticou, entretanto, a forma como o município reduziu em milhares de euros a verba disponível para a construção civil. Afirmou que o seu partido tem uma ideia muito concreta das dificuldades e necessidades da prevenção contra catástrofes, e que pôs em prática uma atitude de socorro e de apoio às populações.

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Rui Santos, do PSD, pôs por seu lado a tónica nas dificuldades sentidas pelos habitantes das zonas altas, cujas juntas de freguesia têm de realizar muitos trabalhos de conservação de caminhos e veredas para proporcionar o mínimo de acessibilidade aos seus habitantes. Enalteceu o trabalho desenvolvido pelo PSD, enquanto foi executivo camarário, para apoiar os cidadãos das zonas mais elevadas do anfiteatro funchalense.
Já Guida Vieira, do Bloco de Esquerda, fez o elogio de Paulo Cafôfo na forma como procurou ajudar as pessoas mais afectadas enquanto responsável municipal. Considerou que a Protecção Civil demonstrou “insuficiências” que tiveram de ser supridas, mas que o foram tarde de mais. A deputada municipal, porém, fez um apelo à união de todos as forças políticas no desenvolvimento das medidas adequadas e no retorno à normalidade. Apelou, contudo, à necessidade de pensar cuidadosamente o ordenamento do território, que tem de ser mais intervencionado.

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Defendeu o apelo ao bom senso de todos os funchalenses para cuidarem dos espaços verdes, não terem em casa tantas garrafas de gás , que são autênticas bombas relógio, e limparem os terrenos. Só assim podem ter legitimidade para exigirem às instituições para cumprirem as suas obrigações. E entre estas, sublinhou, estão a consolidação dos taludes, e a coordenação do trabalho para prevenir novas desgraças no Inverno, com deslizamentos de terra e pedras e outras condições favoráveis a cheias. Aliás, insistiu neste aspecto, “antes que seja tarde”, e para tal apelou neste 508º aniversário do Funchal, cuja cerimónia começou com um minuto de silêncio em memória dos mortos nos incêndios, pedido pelo presidente da Assembleia Municipal, Rodrigo Trancoso.

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O Governo Regional é aqui representado, na sessão que decorre esta manhã, pelo secretário regional da Economia, Eduardo Jesus. A Assembleia Regional é representada pelo seu presidente, Tranquada Gomes.

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