Administrador do Saccharum Hotel: precisa-se de mão de obra especializada na hotelaria

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O administrador da área Hoteleira do Grupo AFA,.Bruno Freitas está otimista com as taxas de ocupação. FOTOS Rui Marote

O Grupo AFA, proprietário do Saccharum Hotel optou por recrutar um gestor  vindo da política para administrar o seu parque hoteleiro. Bruno Freitas, de 42 anos de idade, começou pelo setor privado, mais precisamente na banca, passou pelo público, nas áreas dos hospitais e saúde, tendo sido administrador dos portos e diretor regional do turismo.

Depois da política, escolheu o regresso ao setor privado e tem à sua responsabilidade a administração hoteleiras dos empreendimentos Calheta Beach e Saccharum Hotel. Uma opção pelo facto de a atividade no setor público ser aliciante mas causadora de grande desgaste da imagem e, no setor privado, poder ter um projeto de carreira profisisonal ainda mais aliciante. Por outro lado, nunca fez planos para seguir uma carreira política.

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Saccharum inova por ser um hotel de design, intimista, pela sua localização e SPA inédito.

O Grupo AFA cresceu e tem-se afirmado na Madeira e no mundo na área das obras. Mas a apetência pelo turismo, na terra natal do presidente do grupo, José Avelino Farinha, a Calheta, começou com o lançamento do Calheta Beach. Uma aposta que deu frutos. Impunha-se o crescimento, numa incursão pela diversificação e enriquecimento do portefólio hoteleiro do grupo, naturalmente com a convicção de que o turismo é sempre uma atividade de futuro, o verdadeiro motor do desenvolvimento regional, conta ao FN Bruno Silva.

A experiência de 15 anos na hoteleira foi uma mais valia para o passo seguinte.Em 2009 começa a ser idealizado o Saccharum  – provavelmente em embrião no cérebro do promotor há mais anos -, em 2010, é tomada a decisão do investimento e em 2012 arrancaram as obras de construção nos terrenos que já pertenciam ao Grupo. A 18 de abril de 2015 é inaugurado, tendo o investimento total custado 22 milhões de euros.

Após poucos meses de abertura, a adesão excede as expetativas iniciais, conta-nos Bruno Freitas: forte aceitação no mercado interno pelo seu design, localização e inovação. Contavam abrir com uma taxa média de ocupação de 20% mas o balanço após os 4 meses é de 60%. Há fins de semana com overbooking. Os primeiros visitantes foram os madeirenses e portugueses em geral, mas a procura tem-se diversificado e já chegaram os ingleses, alemães e espanhóis.

Outro dado curioso avançado pelo administrador: o hotel tem vindo a ser bem vendido através dos operadores on line, o que leva a uma reavaliação das fontes de promoção turística, dada a sociedade da informação em que vivemos.

Quando interrogado sobre a mais-valia do Saccharum, Bruno Silva considera que reside na “diferenciação; a hotelaria madeirense conta com um bom produto; este é um hotel design, localizado junto ao mar mas com características de resort; as infraestruturas que oferece ao cliente também são atrativas, nomeadamente um SPA com modalidades que não se encontram num hotel convencional, assim como toda a área de lazer, imprimem um caráter único a este produto”.

Uma diária na unidade hoteleira custa 110 euros. Não há regimes de “tudo incluído”, justamente com o propósito de pôr o cliente sempre em movimento, visitando as áreas circundantes, consumindo e dinamizando assim a economia local. Os clientes dispõem de pequeno almoço, ficando o almoço e jantar ao seu critério, podendo até fazê-lo no hotel. Grande parte dos clientes prefere visitar a Calheta e arredores.

A principal dificuldade do hotel neste momento é recrutar mão de obra especializada na cozinha e restauração. Segundo Bruno Freitas, há muita gente disponível para trabalhar em bares e restaurantes, mas sem formação adequada na hotelaria. O hotel conta agora com 70 colaboradores, mas quando atingir a velocidade do funcionamento pleno poderá empregar um mínimo de 100 pessoas.

Bruno Freitas vê com otimismo as melhorias que têm sido feitas nas ações promocionais do turismo e considera que o grande desafio de futuro é preservar a qualidade do turismo local, ou seja, além das verbas que se investe necessariamente na promoção externa, há que também apostar na preservação das infraestruturas locais para manter sempre os níveis de qualidade. Na verdade, num destino de marca como o é a Madeira não se pode defraudar expetativas.

 


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