
E a má da fita foi mesmo… a Matemática de 6º ano. Na Madeira, a disciplina voltou a apresentar a única média negativa entre os quase 5.500 alunos de 1º e 2º Ciclos, ficando abaixo da prestação nacional.
Entre Português e Matemática, as provas de 4º ano obtiveram melhores resultados relativamente à média nacional. Embora os valores globais não ultrapassem o nível satisfatório, registaram-se subidas em relação a 2014.
Matemática de 6º ano e Português de 4º. O pior e o melhor nos resultados obtidos pelos estudantes da Madeira nas provas finais nacionais de 1º e 2º Ciclos, realizadas em maio último. Os resultados foram divulgados esta terça-feira pela Secretaria Regional de Educação e seguem a tendência nacional, com a disciplina de Matemática a registar resultados inferiores ao Português nos dois níveis de ensino.
Relativamente ao todo nacional, a Região destaca-se pela positiva e pela negativa. Enquanto os alunos de 4º ano mostraram melhor desempenho, os estudantes de 6º ano não conseguiram atingir o mínimo positivo na disciplina de Matemática, ficando lá perto com 48%.
De qualquer forma, tanto numa como noutra disciplina, as médias não perspetivam notas altas. A generalidade dos alunos ficou-se pelo satisfatório nível três, o mínimo na escala de classificação do Ensino Básico para conseguir transitar de ano. Os níveis 4 e 5 surgiram com maior incidência nas provas de Português de 4º ano, disciplina em que 90 por cento dos alunos obtiveram nota positiva. Na Matemática de 6º ano, a disciplina com pior desempenho do grupo, apenas 3,3 por cento dos alunos que realizaram os testes nas escolas da Região alcançaram o máximo, ou seja, o nível 5.
“Provas são inúteis”
As pautas com a avaliação foram afixadas ao início desta manhã. Ao longo do dia, escolas, professores e entidades ligadas à área da educação estiveram a analisar os resultados. O Funchal Notícias falou com alguns agentes e concluiu que os indicadores não constituem uma surpresa, atendendo à metodologia e à calendarização implementada nestas provas nacionais.
“São expectáveis e vêm confirmar a ideologia que norteia esta avaliação externa, que é feita para a mediania e para o mínimo positivo”, afirmou esta tarde ao Funchal Notícias a presidente da Associação de Professores de Matemática. “Até nisso, as provas não servem para grande coisa. Servem apenas para roubar tempo aos alunos e levar os professores e até os pais a caírem em práticas de mero treino para exame”.
Muito crítica a este modelo de avaliação implementado pelo Ministério de Educação, Lurdes Figueiral não dourou a pílula quando instada a comentar o efeito prático das provas nacionais. “São bastante inúteis, porque não espelham nem contribuem para a aprendizagem efetiva dos alunos, a qual assenta sobretudo numa avaliação qualitativa, contínua e global”.
Recorde-se que as provas de Português e Matemática de 1º e 2º Ciclos se realizaram em meados de maio, em pleno decorrer do ano letivo. Esta calendarização implementada pela primeira vez em 2014 veio criar dificuldades em termos da gestão dos programas e dos conteúdos a lecionar. Confrontados com programas extensos e novas metas que viriam a introduzir alterações profundas nos conteúdos previstos para ambos os ciclos, docentes e alunos acusaram situações de saturação e de falta de tempo necessário para a consolidação das aprendizagens. Para Lurdes Figueiral, a persistência do Ministério de Nuno Crato em manter a avaliação externa nestes moldes “tem criado profunda perturbação na vida das escolas e no desempenho dos alunos”.
“As provas nacionais não são os instrumentos adequados para avaliar as aprendizagens”, sintetiza. “Devíamos era aproveitar este tempo para reforçar o trabalho de consolidação. No entanto, sabemos como este ministro é adepto de exames. Apesar dos nossos alertas no sentido de se entender a avaliação numa dimensão global e construtiva, não tem sido nada sensível, olhando para os exames como a única resposta”, lamenta Lurdes Figueiral.
Poucos 4 e 5
O cenário registado nas 136 escolas da Região segue a tendência nacional, com a única exceção de Matemática de 6º ano a revelar média negativa. Conforme o quadro em anexo, os alunos obtiveram médias positivas em Português e Matemática no 4º ano (67% e 63%, respetivamente). No 6º ano, Português registou 58,5% e Matemática 48%. Comparativamente a 2014, as médias na RAM subiram em todos os itens, sendo mais ligeira em Português de 6º ano.
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Médias positivas por disciplina – Madeira |
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| Ano
Disciplina |
4º ano
(2015) |
Variação
(2014) |
Resultados
nacionais |
6º ano
(2015) |
Variação
(2014) |
Resultados nacionais |
| Português |
67% |
+5% | 65,6% | 58,5% | +2% |
59,5% |
| Matemática |
63% |
+5% | 59,6% | 48% | +5% |
51% |
No 1.º Ciclo, na disciplina de Português, 43,1% dos alunos obtiveram classificação de nível 4 e 6,5% classificação de nível 5. Na Matemática, 35% dos alunos alcançaram classificação de nível 4 e 5,4% classificação de nível 5. Em Português, 90% dos alunos conseguiram classificação positiva, valor que na Matemática se fixou nos 75%.
No 2.º Ciclo, na disciplina de Português, 26% obtiveram classificação de nível 4 e 3,1% obteve classificação de nível 5. Já em Matemática, 20,4% e 3,3% dos alunos conseguiram classificação de nível 4 e 5, respetivamente. Em Português, 76% dos alunos obtiveram classificação positiva e, em Matemática, 49% dos alunos registaram classificação positiva.
As Provas Finais Nacionais de 4º ano de Português e de Matemática foram realizadas por 2.599 e 2.598 alunos, respetivamente. No que toca às Provas Finais Nacionais do 6º ano, 2.875 realizaram a prova de Português e 2.882 a de Matemática. A percentagem de faltas nestas Provas Finais de Ciclo do 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico situou-se entre 0,3% e 1%.
Depois do exame de Português, no dia 15 de junho, os alunos de 9º ano voltam a sentar-se à mesa da avaliação externa para a prova final de Matemática, já nesta sexta-feira, dia 19 de junho.
Recorde-se que a nota obtida nas provas nacionais tem um peso de 30 por cento na avaliação final dos alunos de 1º, 2º e 3º Ciclos.
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