Respira-se outro ar, mas…

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Foi o título de uma reportagem do semanário “Expresso” que me levou a registar os termos que lá vinham: “Tomei nota”, “Vamos resolver”, “Concordo com a sua questão.” A jornalista resumia assim o novo espírito que diz existir dentro da nova maioria do PSD do Dr. Miguel Albuquerque, atitude que na sua óptica, deixa em completo desconserto os partidos da Oposição, sem argumentos para contrariar uma prática democrática que parece respeitar tudo e todos, porque a todos pede colaboração.

É, precisamente nesta questão que, do meu ponto de vista, a Oposição terá que se concentrar. Se, na realidade, o partido que suporta o governo e o próprio executivo se dizem disponíveis para “resolver”, “aceitar” e “tomar nota” das propostas que venham a ser apresentadas pelo CDS/PP, PS ou outra força partidária, pois bem, é por aí que vamos, como diz o poeta.

E valha a verdade, é preferível saber que há abertura para acolher projectos, propostas e ideias da Oposição, diria que assim até dá mais gosto trabalhar, do que, preparar iniciativas que, embora muito importantes para resolver os problemas dos Madeirenses e Porto-santenses, com o anterior PSD acabavam na cauda de uma infindável lista na Assembleia Legislativa da Madeira.

Em meu entender, é nesse espírito que deve entrar a Oposição. O nosso sentido de responsabilidade e a actual situação social, económica e financeira da Madeira e do Porto Santo assim o exigem. Proponho-me, enquanto deputada do  CDS/PP, a dar o meu contributo para essa partilha responsável da governação da Madeira.

Uma nota, que me parece digna de registo. O actual exercício parlamentar é o oposto daquele que vivenciei, como deputada da oposição na última legislatura. A instalação da Assembleia, a sessão comemorativa do 25  de Abril e a discussão do programa de governo revelaram um registo digno de um verdadeiro exercício de democracia. A discussão do programa de governo aconteceu durante 3 dias, em que se manifestaram opiniões distintas e se esgrimiram ideias diferentes das que o governo apresentou no seu programa. Foi um debate civilizado, como se exige, em que as diferentes forças políticas questionaram os membros do novo governo e marcaram as suas diferenças. O programa de governo, apresentou algumas fragilidades e falta de consistência nalgumas áreas. Diria que, senti a ausência de um fio condutor, de compromissos e de integração das diferentes áreas de governação, não vi nada de inovador, enfim um programa sem um “rasgo”. À parte, esta análise, alguns membros do governo revelaram a sua imaturidade, inexperiência e desconhecimento de algumas matérias que tutelam, mas souberam respeitar o exercício e o escrutínio parlamentares. O caminho faz-se caminhando, mas queremos mais, é preciso governar, o que implica tomar decisões!

Não sei se, esta postura do governo e do partido maioritário será douradora, mas enquanto durar, saibamos todos, o governo e as diferentes forças políticas navegar nesta nova onda.

Aproveitando, a visita do Senhor Primeiro Ministro à Região, “exige-se” que, com respeito e com firmeza se, negoceiem matérias de enorme relevância para a Madeira,  como o financiamento do novo Hospital, as tarifas dos transportes aéreos, o transporte marítimo e os juros da dívida. Nós somos Portugueses e queremos um tratamento igual aos demais!!


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