Concerto: ANSA/Orquestra Clássica da Madeira . 11 de Abril

ansaAssociação Notas e Sinfonias Atlânticas – ANSA apresenta:
Concerto da Orquestra Clássica da Madeira

Maestro convidado Luís Carvalho
Solista Arno Piters
11 de abril, pelas 18:00, no Teatro Municipal Baltazar Dias

A Orquestra Clássica da Madeira, através da Associação Notas e Sinfonias Atlânticas, apresenta-se em palco no próximo sábado, dia 11 de abril, pelas 18:00, no Teatro Municipal Baltazar Dias. O concerto estará sob a batuta do maestro Luís Carvalho, que além de dirigir a orquestra, presenteia o público com uma obra de sua autoria “Nise Lacrimosa”. Luís Carvalho distingue-se como um dos mais versáteis músicos portugueses da sua geração, é Clarinetista, maestro e compositor.

Ocupará o lugar de solista Arno Piters, Clarinetista de reconhecido mérito artístico.

Neste concerto, serão também interpretadas obras de W. A. Mozart “Concerto para Clarinete e Orquestra em Lá maior K. 622” e de J. Brahms “Sinfonia nº4 op. 98 em mi menor”.

Os bilhetes para o concerto estão disponíveis na bilheteira do Teatro Municipal Baltazar Dias e custam 20€, para as crianças dos 6 aos 12 anos 5€!

Maestro Convidado, Luís Carvalho

Clarinetista, maestro e compositor, Luís Carvalho distingue-se como um dos mais versáteis músicos portugueses da sua geração. Apresentou-se em recitais e concertos um pouco por todo o mundo, muitas vezes estreando as suas próprias obras e de outros compositores contemporâneos portugueses e estrangeiros, algumas das quais tendo-lhe sido expressamente dedicadas.

Estudou clarinete e composição no Porto (com António Saiote e Fernando Lapa, respetivamente), onde lhe foi atribuído o «Prémio para o melhor aluno do curso» (1994), e direção de orquestra em Milão, S. Petersburgo e Madrid, com Jorma Panula e Jesus López-Cóbos. Especializou-se ainda em direção de música contemporânea com Arturo Tamayo, e frequentou workshops e palestras com compositores de renome como Luis de Pablo (Espanha) e Magnus Lindberg (Finlândia). Galardoado em diversos concursos, destacam-se os prémios obtidos no «Concurso de Interpretação do Estoril» (2001) e no «4º Concurso Internacional de Composição da Póvoa de Varzim», pela sua obra orquestral Metamorphoses… hommage à M. C. Escher (2009). Foi vencedor da Audição para Jovens Maestros organizada pela Orquestra Metropolitana de Lisboa (2010), e, mais recentemente (2012), nomeado para o Prémio Autores da SPA (Sociedade Portuguesa de Autores) pela sua obra orquestral Nise Lacrimosa. Já em 2013 foi distinguido pelo jornal nortenho «Audiência» com o Troféu Prestígio, pela sua carreira dedicada à música.
Dirige várias das mais importantes orquestras portuguesas, como a Nacional do Porto, a Sinfónica Portuguesa (Lisboa), a Metropolitana de Lisboa, a Orquestra do Algarve, a Filarmonia das Beiras, a Orquestra de Câmara Portuguesa (Lisboa), a Sinfónica da Póvoa de Varzim, a Sinfónica da Universidade de Aveiro, a Sinfónica da ESART (Castelo Branco) ou a Orquestra Clássica de Espinho, e no estrangeiro aparece em concertos com orquestras várias de Rússia, Itália, Hungria, Espanha e Finlândia. É fundador e diretor artístico/musical da Camerata Nov’Arte (Porto). Acompanhou solistas de craveira como Radovan Vlatkovic (trompa), Pedro Burmester (piano), Alain Damiens, Justo Sanz e Marie Barrière (clarinete), Pedro Carneiro (percussão), Henrique Portovedo (saxofone), Rui Lopes (fagote), José Pereira (violino), Marco Pereira (violoncelo) e Elsa Saque, Carlos Guilherme, Mário Alves, Isabel Alcobia, Raquel Camarinha, Dora Rodrigues, Sara Braga Simões e Ana Paula Russo (canto), tendo participado nos festivais internacionais de Espinho, Aveiro, Póvoa de Varzim, Estoril, Dias da Música do CCB e Festival Jovens Músicos da RDP/Antena 2, entre outros.

O repertório que aborda é vasto e ecléctico, estendendo-se do barroco à atualidade, e inclui várias estreias absolutas. No campo da música de cena a sua experiência inclui a estreia absoluta da ópera-oratória Auto da Fundação de Coimbra (Coimbra-2004), de Manuel de Faria, e ainda apresentações de La voix humaine (Poulenc), Il secreto de Susanna (Wolf-Ferrari) e Pierrot Lunaire (Schoenberg).

Igualmente reconhecido como compositor, obras suas têm sido apresentadas em Espanha, Alemanha, Holanda, Venezuela e Brasil, por intérpretes e agrupamentos nacionais e estrangeiros. Do seu catálogo, que é maioritariamente editado pela AvA-editions, destacam-se Nise Lacrimosa (encomenda do Cistermúsica-2011/Alcobaça) e Metamorphoses… hommage à M. C. Escher, ambas para orquestra; Fantastic Variations para banda sinfónica (encomenda da Banda Sinfónica Portuguesa), Sax-suite para quarteto de saxofones (em CD pela NUMÉRICA) e Hornphony para quarteto de trompas (em CD pela AFINAUDIO), bem como Hornpipe (trompa solo) e Alboque (clarinete solo) e Chirimia (oboé ou saxofone-soprano solo). No âmbito da sua investigação para doutoramento concebeu uma «reinvenção dos esboços para grande ensemble» baseada nos rascunhos deixados por Gustav Mahler para a Sinfonia nº10, em fá# maior. Esta nova versão foi estreada pelo próprio Luís Carvalho dirigindo a Camerata Nov’Arte (Junho/2014).

Luís Carvalho aparece em perto de uma vintena de CD’s, quer como clarinetista, maestro ou compositor, e em etiquetas como NUMÉRICA, CASA DA MÚSICA, AFINAUDIO ou PUBLIC ART. É docente da Universidade de Aveiro.

Solista, Arno Piters

Nascido em 1980, Arno Piters estudou Clarinete e Clarinete em Mi bemol (Requinta) com Jan Cober e Willem van der Vuurst no Conservatório de Maastricht, onde recebeu o diploma com distinção. Posteriormente ingressou no Conservatório de Amesterdão, tendo estudado com George Pieterson, obtendo igualmente o seu diploma com distinção.

Piters foi membro da National Youth Orchestra of the Netherlands da Gustav Mahler Jugendorchester e da European Union Youth Orchestra, onde trabalhou com maestros tais como: Pierre Boulez, Bernard Haitink e Vladimir Ashkenazy.

Apresentou-se a solo com a Residentie Orchestra, a Limburgs Symfonieorkest, a Nuremberg Symphony Orchestra, entre outras. Como artista de Música de Câmara apresentou-se em festivais dentro e fora da Holanda, com Janine Jansen, Mischa Maisky e Daniel Hope.

Piters foi membro da Netherlands Radio Symphony Orchestra de 2001 a 2003. Posteriormente, foi designado clarinetista e clarinetista em Mi bemol (Requinta) naRoyal Concertgebouw Orchestra em Amesterdão.

É convidado principal regular na Mahler Chamber Orchestra. Foi Convidado para tocar com a Israel Philharmonic Orchestra, sob direção de Zubin Mehta e da World Orchestra for Peace com Valery GergievLeciona no Conservatório de Amesterdão e realiza masterclasses internacionalmente.

Agente Cultural, Paulo Esteireiro

O conceituado linguista, filósofo e ativista político norte-americano, Noam Chomsky, questionava-se há uns anos sobre as causas que levavam os americanos a saber tanto sobre desporto e tão pouco sobre os assuntos políticos mundiais. Como exemplo, mencionava que, por vezes, ouvia rádio enquanto conduzia e que era frequente encontrar programas sobre desporto, em que os cidadãos comuns comentavam, utilizando um discurso bem construído e um manancial de informação impressionante. Por outro lado, dizia que muitas vezes ouvia outros fóruns sobre política mundial, abertos igualmente à participação de cidadãos comuns, e que era habitual ouvir comentários de uma superficialidade preocupante e com base em pouca ou nenhuma informação consistente.

Será fácil transpor esta questão para o campo das artes, e acredito que a generalidade dos melómanos já tenha colocado uma pergunta muito semelhante à de Chomsky, com a devida adaptação: por que é que os portugueses sabem tanto sobre futebol e tão pouco sobre música? Tal como no exemplo do conceituado filósofo norte-americano, em Portugal é possível quase todos os dias ver programas televisivos, e ler nos jornais, opiniões sobre futebol, feitas por amadores e não necessariamente por profissionais, demonstrando uma quantidade de conhecimentos invejáveis, com um rigor histórico impressionante, em que se consegue ir inclusivamente buscar exemplos com algumas décadas. Alguns dos discursos são de uma inteligência impressionante, com argumentos bem construídos e com um entusiasmo admirável.

No desporto, quase diariamente discute-se sobre: táticas (erros ou opções brilhantes); treinadores (capacidade de liderança, escolha acertada de jogadores ou leitura do jogo); jogadores (forma física, qualidades técnicas, interpretação correta das ideias do treinador, articulação entre atletas, etc.); e até custos de bilhetes (relação com a qualidade de vida atual ou determinado empolamento no jogo “x” ou “y”).

Infelizmente, os comentários sobre desporto não têm paralelo com o que acontece no campo da arte musical. E, assim, sonho utopicamente com o dia em que a nossa sociedade e os diretores de conteúdos da comunicação social considerem igualmente importante que a  Orquestra Clássica da Madeira seja notícia regular e motivo de debate. Não seria assim tão diferente do exemplo do desporto acima referido: interpretação musical de determinada peça (erros ou opções brilhantes); qualidade do maestro (capacidade de liderança e comunicação, clareza dos gestos e sinais, escolha de repertório adequado, entusiasmo, musicalidade); qualidade dos músicos (qualidades técnicas, interpretação correta das ideias do maestro, articulação entre membros do mesmo naipe, etc.); qualidade da composição (exploração da variedade de timbres, sequência das secções musicais, qualidade das melodias, expressão ou emoção transmitida em cada secção, texturas e relações entre linhas melódicas e acompanhamento); e, claro, custo dos bilhetes (adequado à qualidade de vida ou ao nível de outro tipo de entretenimentos).

Há muito para debater em torno de uma orquestra e é imprescindível que se consiga dinamizar esse debate. Tal como o desporto conseguiu e consegue motivar paixão entre os cidadãos, levando-os a debater sobre todo e qualquer detalhe em seu redor, é essencial que consigamos dinamizar o debate cultural – e a orquestra é um excelente ponto de partida. Para que consigamos manter uma orquestra ativa, todos os agentes culturais e melómanos têm pela frente o desafio de partilhar nas redes sociais e nas páginas dos leitores as suas opiniões sobre a arte musical, seja qual for a sua ideia. Estranho será que a audição de uma orquestra continue a ser indiferente e que a nossa reação à música, que sai dos dedos e das almas de dezenas de músicos tocando em conjunto, seja indiferente e não obtenha de nós qualquer reação. O nível de qualidade que a Orquestra Clássica da Madeira tem realizado nos últimos tempos merece mais resposta do público.

Paulo Esteireiro
Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (FCSH/UNL)
Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia