
Helena Mota (texto e fotos)
Nem tudo são flores e festas na zona ribeirinha do Funchal. A poucos metros da cosmopolita Praça do Mar e da turística estátua do atleta maior, outra realidade bem menos apelativa e, por sinal, perigosa esconde-se dos olhares soalheiros da promenade. Metros abaixo deste mundo risonho a Madeira Nova, tal qual subterrâneo esquecido de antigas vaidades, existe um labirinto de supostos armazéns abandonados, inacabados e imundos.
Durante algum tempo, os tapumes de metal encobriram as crateras no caminho e as cavernas bolorentas dos olhares e dos passos de quem por ali passa, ora para trabalhar ora para encurtar distância até ao “Lobo Marinho”. Mas nada resiste ao desleixo, e o vandalismo e o vento têm derrubado muros, repondo verdades e pondo a descoberto não só uma imagem degradante, como um potencial perigo para quem percorre aquele trajeto diariamente, lado a lado com a Lota do Funchal.
Quem lá passa são maioritariamente os que trabalham e vivem do mar, pescadores, compradores de peixe, simples funcionários públicos. Ou seja, o tão apregoado Povo que, na hora do voto, anima as promessas dos políticos e embarga a voz dos candidatos. Esse Povo que dá nome a Praças, mas que é obrigado a calcorrear as “ruas da amargura”, longe das pompas das inaugurações.
Em tempo de bênção às virtudes da Bela Frente Mar, porque não aproveitar a despedida e dar a cara também pelos erros do Monstro que se agiganta mesmo ali ao lado, na zona da Lota? O pai de um e outro é o mesmo.
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