LIVRE Madeira mantém oposição à privatização dos percursos pedestres

Após as declarações de ontem do Secretário Regional do Turismo Ambiente e Cultura, o LIVRE Madeira mantém a sua firme oposição à intenção do Governo Regional de concessionar os percursos pedestres da Região Autónoma da Madeira a entidades privadas, tal como anunciado pelo Secretário Regional do Turismo, Eduardo Jesus. Esta decisão representa “um ataque ao património natural público e uma perigosa abertura à mercantilização do território em nome de interesses turísticos imediatistas” de acordo com o partido.

“O Governo Regional tenta justificar esta decisão com base em modelos internacionais. No entanto, o LIVRE Madeira rejeita essa lógica: as especificidades geográficas, sociais e ambientais da Madeira tornam incomparáveis os exemplos estrangeiros frequentemente invocados. O que pode funcionar noutros países, com dimensões e realidades totalmente distintas, não pode ser aplicado mecanicamente a uma ilha com ecossistemas frágeis e um território limitado. Alertamos ainda para os perigos associados à mercantilização dos trilhos: a criação de barreiras financeiras ao acesso, a degradação do património natural por exploração excessiva e a exclusão progressiva da população local dos seus próprios recursos naturais.

Além disso, o LIVRE Madeira sublinha que o atual modelo de gestão pública já assegura a possibilidade de financiamento da manutenção e proteção dos percursos. O Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) já cobra entradas em vários trilhos, gerando receita pública que pode — e deve — ser aplicada na preservação, manutenção e defesa dos ecossistemas. Este fundo pode igualmente ser usado para reforçar recursos humanos essenciais, como vigilantes da natureza e polícias florestais, cuja presença no terreno é fundamental para proteger o território e garantir uma gestão equilibrada do turismo de natureza.

O LIVRE Madeira apela à mobilização da sociedade civil, dos autarcas, das associações ambientais e culturais, e de todos os cidadãos e cidadãs preocupados com o futuro da nossa ilha. Nem que seja preciso recorrer a um referendo regional, esta medida deve ser travada. O património natural da Madeira — as levadas, veredas e trilhos — é parte da nossa identidade coletiva e deve continuar sob gestão pública, com acesso livre, seguro e democrático”, afirma o comunicado do partido.

Questiona ainda a legalidade da medida, nomeadamente a possibilidade de entrega de bens de domínio público natural a entidades privadas para fins comerciais.

“Quando um Governo abdica da sua responsabilidade de gerir e proteger o território natural, não está a inovar — está a confessar a sua própria incompetência. Privatizar os trilhos é assumir que falhou na sua obrigação mais básica: proteger o bem-comum”, refere Marta Sofia. “A verdadeira resposta aos desafios do turismo de massas não está em entregar a natureza a operadores privados, mas sim em reforçar a gestão pública, melhorar a fiscalização, distribuir os fluxos turísticos de forma equilibrada e educar para o respeito pelo território. Privatizar os trilhos é abrir a porta a uma paisagem com dono. E a paisagem da Madeira é, e deve continuar a ser, de todas as pessoas”, concluiu.

O partido apela ainda a que se continue a assinar uma petição que está a circular.


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